NOTA AOS FIÉIS

Regina Pacis, Ora pro Nobis!

Caríssimos fiéis, amigos e benfeitores,

O Convento de São Miguel e de Santo Antônio, por meio da presente Nota, vem manifestar-se publicamente acerca de fatos recentes envolvendo determinados clérigos da América do Sul, vinculados a uma instituição sediada na Argentina, cujos pronunciamentos e condutas suscitaram legítima e gravíssima preocupação de ordem pastoral e doutrinal.

Tais membros do clero estiveram envolvidos na divulgação de acusações morais graves e notoriamente infundadas, bem como na imputação temerária de heresia e/ou cisma, contra nossa comunidade religiosa e outros Padres e Bispos, afastando-se de maneira patente da caridade, da prudência e do senso de responsabilidade requeridos pela Igreja no ministério sacerdotal. Soma-se a isso a indevida publicização de uma controvérsia particularmente sensível e complexa, a qual este Convento se empenhou diligentemente em manter, tanto quanto possível, no âmbito privado, precisamente para evitar perturbação das consciências e, consequentemente, grave dano às almas.

Cumpre esclarecer que, muito antes desta nota, tais fatos foram devidamente levados ao conhecimento da autoridade eclesiástica competente, por meios legítimos e com a devida antecedência, na busca de uma solução pacífica, porém de acordo com a gravidade das acusações e com a repercussão pública das mesmas. Não obstante, até o presente momento, não se verificaram providências eficazes aptas a reparar o escândalo causado, restabelecer a justiça devida ou restaurar a indispensável ordem pastoral. Na Nota Institucional anteriormente publicada, expusemos igualmente os resultados lamentáveis da tentativa de buscar, por vias pacíficas, a devida retratação pelo conteúdo difamatório, falso e ofensivo veiculado contra a imagem da Associação e de seus membros. O fato de o próprio sacerdote autor dos ataques ter bloqueado o advogado da Associação no aplicativo WhatsApp revela o total desprezo dos adversários por qualquer esforço honesto de reparar os males que causaram e dispensa maiores comentários.

Deve-se ainda registrar que o nível das discussões tornadas públicas revelou séria e preocupante insuficiência teológica e canônica no tratamento de questões particularmente delicadas, sobretudo no âmbito matrimonial, evidenciando a imprudência de se emitirem juízos categóricos ou orientações pastorais sem a devida formação, sem o rigor exigido pela matéria e sem a observância dos procedimentos próprios da Igreja, resultando em exposição claríssima a adultérios vitalícios e a separações injustas. O fato de terem simplesmente justificado duas supostas “declarações de nulidade” sem uma séria instrução probatória (i.e., sem a oitiva de testemunhas idôneas e desinteressadas, bem como sem uma séria reunião de evidências) valendo-se ainda de um critério que sequer existe, demonstra, de modo eloquente, sua profunda versação na teologia do “eu acho”.

Soma-se a isso um conjunto de acusações de caráter francamente pueril, típicas de padres com formação claramente deficiente, como a absurda imputação de que negaríamos o caráter sacramental do Matrimônio. Os mesmos clérigos ainda acusam, ou ao menos toleram sem qualquer correção, que um de seus sacerdotes chegue ao ponto de imputar cisma a outros ministros sagrados que celebram a Liturgia segundo as rubricas de São Pio X, em flagrante contradição com a postura de Dom Mark Pivarunas, cuja autoridade afirmam seguir, mas que desmentem de modo evidente por seus atos.

Visto que tornaram pública a alegação de que o Pe. Boaventura teria afirmado que negaria os Sacramentos a certos clérigos defensores da tese oposta, cumpre a este Convento elucidar, de forma a dissipar quaisquer dúvidas, que a Igreja Católica PROÍBE a administração dos Sacramentos àqueles que atentam de maneira manifesta contra o bem comum e que, ademais, por sua obstinação, demonstram nítida disposição de perseverar no erro.

Causa legítima perplexidade que um princípio elementar da disciplina sacramental seja tratado como se fosse uma novidade escandalosa por aqueles que se arvoram em autoridades doutrinais e pastorais. Mais ainda: é francamente absurdo — para não dizer ofensivo à inteligência — supor que qualquer frade deste Convento ousaria administrar quaisquer Sacramentos a qualquer católico publicamente envolvido em supostas declarações de nulidade matrimonial fundadas em critérios inexistentes, bem como em pronunciamentos públicos caluniosos e difamatórios, acompanhados de obstinação manifesta, como se tais condutas fossem compatíveis com a recepção válida e lícita dos Sacramentos da Igreja.

Faz-se ainda mister esclarecer, para os menos atentos, que o próprio sacerdote responsável por veicular tal informação declarou, ele mesmo, que negaria os Sacramentos ao Pe. Boaventura em razão de sua posição sobre o casamento civil em circunstâncias extraordinárias. “O vínculo que promove a unidade é a verdade”; todavia, ao que tudo indica, trata-se de um princípio invocado apenas quando conveniente aos próprios interesses.

Diante de condutas que apontam, de modo inegável, para problemas teológicos e pastorais de extrema gravidade, o Convento de São Miguel e de Santo Antônio considera ainda ser seu dever explicitar que não pode recomendar, senão com categóricas ressalvas, a frequência aos Sacramentos administrados por tais sacerdotes, em razão de sua pública, notória e reiterada inaptidão teológica somada ao recurso à calúnia e à difamação como instrumento de atuação pública.

Ressaltamos, com a máxima ênfase, que não é intenção deste Convento privar quem quer que seja do acesso aos Sacramentos. Todavia, em fidelidade à doutrina católica e no exercício do zelo pastoral que nos é exigido por Deus, é imprescindível informar os fiéis acerca dos graves desvios doutrinais e morais públicos perpetrados por tais eclesiásticos. A todos quantos nos consultarem, declaramos de forma categórica que não podemos concordar, endossar ou silenciar diante de posturas evidentemente escandalosas.

Visto ainda que, recentemente, dentre tais membros do clero, um deles chegou ao desplante de rogar àqueles que nos seguem que não assistissem às Missões por ele atendidas, consignamos que este Convento não endossa semelhante comportamento de caráter nitidamente sectário. Afirmamos que qualquer católico pode assistir às nossas Missas e receber os Sacramentos, mesmo que discorde de nossas posições, desde que esteja devidamente disposto para tal. Enfatizamos, novamente, que o silêncio do Bispo responsável constitui genuína causa de espanto, em razão de sua notória irresponsabilidade.

É, por fim, dever deste Convento consignar que desaprova qualquer consulta a tais clérigos em matéria de validade matrimonial e que não reconhecerá nem aceitará suas pretensas “nulidades matrimoniais”, manifestamente desprovidas de séria instrução probatória e de fundamento canônico.

Ao longo de toda essa confusão, dispusemo-nos a esclarecer quaisquer dúvidas e publicamos um estudo extenso, devidamente fundamentado, expondo a nossa posição sobre o matrimônio civil nos dias de hoje. Em contrapartida, o outro lado se recusa abertamente a solucionar dúvidas de seus próprios fiéis sobre o assunto. Será que tal atitude é motivada pela incapacidade de refutar aquilo que, por ignorância, catalogam como “novidade”? Isso, curiosamente, explicaria o recurso a ataques pessoais, em vez de uma discussão teológica da questão.

Caríssimos fiéis, seguir a disciplina da Igreja em matéria de validade sacramental não é opcional. De modo algum isso pode ficar sujeito a políticas de grupo.

Desde o início, sempre buscamos (e ainda desejamos) um debate acadêmico sobre a questão, mas jamais o obtivemos de nossos adversários. Será realmente tão difícil seguir os ensinamentos do Santo Ofício, ou ao menos os critérios de processo probatório exigidos pelas Sagradas Congregações, por inúmeros canonistas e até mesmo pela jurisprudência da Rota Romana?

Calúnias, detrações e mentiras: é assim que se pretende promover a unidade e trabalhar pela restauração da Igreja? Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.

Apesar de todas as tribulações, não nos esqueçamos de que o principal trabalho de todo cristão é a vida de oração e o testemunho do bom exemplo. Lembremo-nos de rogar a Nossa Senhora Aparecida para que a paz possa finalmente reinar entre o clero brasileiro!