Introdução | Vídeo de Apresentação da Comunidade

Desde a fundação desta pequena comunidade, não são poucas as graças que cada um dos seus membros veem serem colhidas da Bondade Divina, que se digna servir-Se de uma juventude arruinada que, segundo as máximas do mundo, não traz consigo perspectiva de proveito algum, quer para o século, quer para o espírito de religiosidade, para dar continuidade às obras que outrora iniciara e para reviver, não pela palavra erudita, não pela sutileza dos argumentos, mas pelo desejo firme e sincero de amá-Lo que infunde nos corações, o fervor da Caridade, tão apagada e quase extinta do mundo moderno pelo ceticismo e pelos erros que ofuscam a Santa Igreja desde o sexto decênio do século passado.

É justamente de uma destas centelhas da Bondade Divina que trataremos aqui: a fundação e crescimento da comunidade atualmente reunida sob o título daquele que foi chamado pelos Sumos Pontífices “Arca do Testamento”: Santo Antônio.

Tudo tem início com um antigo frade, Frei Paulino do Coração de Jesus, que recebeu o hábito religioso em um convento dos Capuchinhos no Brasil, no tempo em que estes se aproximavam da transição entre a disciplina tradicional e o liberalismo modernista. Frei Paulino, cônscio de que a mudança que se ia introduzindo em seu convento era má, decide deixá-lo para dar início a uma reforma da Ordem dos Frades Menores. Embora não tivesse plena consciência de que o grande problema da heresia modernista estava muito além da disciplina religiosa, tinha no entanto boa disposição para começar uma fundação conforme a formação que recebera dos Capuchinhos.

Fundou, então, Frei Paulino um convento religioso de disciplina tradicionalista, embora ligado à “hierarquia” conciliar. Tentou em determinada época aproximar-se, sem êxito, de um movimento tradicionalista, o que lhe proporcionou certo desapontamento para com o mesmo. Talvez fruto desse desapontamento, juntamente com a pressão por parte de frades já submersos no espírito progressista, o fundador cedeu por completo ao modernismo, abandonando o conservadorismo que outrora o norteara.

Por volta do ano de 2012, um de seus frades, Frei Pedro Maria, não concorde com o espírito liberal que se ia instaurando no convento, tomou resolução de deixá-lo, e procurou amparo nos padres da União Sacerdotal Marcel Lefebvre, grupo dissidente da Fraternidade São Pio X, e foi benignamente recebido no Mosteiro Beneditino da Santa Cruz, em Nova Friburgo-RJ, pelo prior do mesmo mosteiro. O convento de Frei Paulino, entretanto, seguiu caminho rumo ao modernismo. Frei Pedro não pensava na possibilidade de se viver em convento novamente, visto que no Brasil já não existiam casas religiosas franciscanas que não tivessem apostatado da Fé Católica. Decidiu permanecer só, vivendo vida eremítica. No ano de 2016, porém, a Providência Divina já ia traçando sua vontade para com o Franciscanismo no Brasil: uma vocação procurou o jovem franciscano, desejoso de fazer-se frade menor. Frei Pedro compreendeu que não devia recusar condescender àquele sincero desejo, e no dia 13 de junho de 2017, deu o hábito franciscano à primeira vocação. Nasceu então a comunidade que desde então reuniu-se sob o nome de Convento São Miguel e Santo Antônio. O prior do mosteiro havia cedido uma edícula, anexa a uma pequena capela, para servir de habitação à pobre comunidade. Recebeu o convento neste tempo mais uma vocação, proveniente de São Paulo.

Nesta mesma época, foi ordenado sacerdote pelo bispo inglês Richard Williamson um grande amigo de Frei Pedro: Padre Rodrigo Henrique Ribeiro da Silva, que, pouco tempo após sua ordenação, assumiu a Capela São José, em São Paulo, e levou consigo os franciscanos para serem coadjutores da missão. Em São Paulo, o convento receberia ainda mais três vocações. E assim se estabeleceu a comunidade, a princípio, na cidade de Atibaia-SP, onde exercia todo seu apostolado.

Por volta de julho do ano de 2018, porém, ocorreu importantíssimo fato: Padre Rodrigo depara-se com o problema, tanto teológico como consciencial, de se reconhecer alguém que, segundo a doutrina católica, não pertence ao corpo da Igreja, e ademais um herético, como aquele a quem o próprio Deus confiou o encargo de pastorear as almas e conduzi-las com segurança à Eterna Pátria, e, o que é pior, de nomeá-lo como tal no augusto ministério do Altar. Após muito estudo e, não encontrando entre as diversas fontes uma sã consciência que tenha sustentado o contrário, chegou à conclusão de que é uma impossibilidade um herético, o qual pelo motivo mesmo da heresia não é contado entre os membros da Igreja, ser dela chefe supremo: afirmar o contrário equivale a dizer que Cristo comete uma impiedade, pois que confia as almas que criou para a Eterna Bem-aventurança ao mercenário em vez de ao Bom Pastor. Conjuntamente, os frades chegaram à mesma percepção, e todos compreenderam que, na realidade, a Sé Apostólica estava vacante. Diante disso, já não se poderia manter relações com padres e bispos que sustentassem a posição contrária: o rompimento era inevitável.

Providencialmente, Padre Rodrigo e todos os frades puderam contar com o apoio de Sua Excelência Dom Daniel Dolan, bispo americano, que, já no primeiro contato, nos acolheu com toda a benevolência e paternidade que é própria dos pastores de almas da Santa Igreja Católica, conferindo inclusive a clericatura a Frei Pedro. Desde então, Dom Dolan têm acompanhado o crescimento de nosso pequeno convento e assistido os frades nas necessidades. No ano de 2019, foi fundado debaixo de sua permissão um seminário católico no Brasil, cujo a reitoria foi confiada ao mesmo Padre Rodrigo, e no qual estudam atualmente os franciscanos. Em 4 de outubro do mesmo ano, solenidade de Nosso Seráfico Pai São Francisco, Frei Pedro fez profissão dos votos perpétuos, prometendo observar por toda a vida a Regra dos Frades Menores, aprovada pelo Senhor Papa Honório, vivendo em obediência, sem próprio e em castidade, e recebeu em novembro a Ordem do subdiaconato, na mesma ocasião em que outros dois frades ascenderam ao estado clerical. Em dezembro, outros três irmãos fizeram profissão de votos simples, e um candidato foi admitido ao noviciado. Pudemos contar ainda com a benevolência de alguém que, além de irmão de Ordem, é grande amigo de nossa comunidade: Padre Francis Miller, OFM, quem constantemente auxilia nosso pobre convento.

Nossa comunidade, graças ao bom Deus, está em constante crescimento. Não são raros os pedidos de admissão ao rude burel de São Francisco. Contamos, pois, primeiramente com o auxílio divino e a intercessão da Santíssima Virgem Maria, e com a benevolência de todos aqueles que puderem ajudar, quer materialmente, quer espiritualmente, na expansão e reconstrução da ordem seráfica no Brasil, para que possamos, com o auxílio da graça divina e pelo exemplo do Poverello de Assis, trabalhar para reconduzir a Nosso Senhor os corações que há muito caminham nas sendas da desesperança e do erro.

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