Fotos da Visita Episcopal

Paz e Bem! Caros fiéis, com muita felicidade publicamos as fotos na íntegra da visita Episcopal de Sua Excelência Revma. Dom Pio Carlos Espina Leupold. Na ocasião de sua visita, ele conferiu as 4 ordens menores e o Subdiaconato ao Frei Boaventura de Nossa Senhora da Sabedoria, O. F. M. Sub e administrou o Sacramento da Confirmação para muitos fiéis, provenientes de vários estados do país.

OBS.: Para acessar as fotos, clique na foto ou no título do álbum desejado.

Ordenação – Frei Boaventura – Ostiário e Leitor – 10/12/2022

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Ordenação – Frei Boaventura – Exorcista e Acólito – Crisma – 11/12/2022

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Ordenação Subdiconal – Frei Boaventura – 12/12/2022

Frei Fabiano de Cristo

Pausadamente, solenemente ecoa pelas arcadas do claustro do Convento de Sto. Antônio do Rio de Janeiro a recitação do Magnificat.

Todos os dias os Religiosos o entoam quando, depois da frugal ceia, se dirigem à igreja, parecendo silhuetas ambulantes no crepúsculo da noite.

…et exaltavit humiles, pronunciam agora, justamente ao darem os primeiros passos sobre as lousas de mármore vetusto que cobre os restos mortais dos que no Convento serviram na milícia do seráfico Patriarca.

…et exaltavit humiles. É o precônio perene das grandezas da Virgem Santíssima.

… et exaltavit humiles. É o hino de louvor que eleva a mente também a ti, santo Religioso, que tiveste o teu primeiro descanso sob esta laje silenciosa, que os teus Irmãos, depois de dois séculos, pisam no momento de o entoar.

Chama a atenção do transeunte uma pedra embutida na parede, à cabeceira da segunda sepultura, com as simples palavras:

Sepultura do Servo de Deus

Fr. Fabiano de Cristo ano 1747

É à memória deste servo de Deus que consagramos estas ligeiras notícias.

Chamava-se no mundo João Barbosa e nasceu aos 8 de fevereiro de 1676 no arraial de Soengas, arcebispado de Braga. Seus pais, de modesta condição, educam-no no santo temor de Deus e já moço fez-se pastor de rebanhos. Esteve algum tempo no Porto e dai embarcou para o Brasil, no intuito de melhorar se situação. Alguns anos entregou-se ao comércio do caminho das Minas, para depois se estabelecer com casa de negócio na vila de Paratí, ao sul de Angra dos Reis. Não comerciava com a usura e de seus lucros não era avarento para com Deus. Viveu no mundo cristãmente. Convencendo-se, porém, de como era difícil guardar-se puro nos perigos que o cercavam, tencionou voltar para Portugal e fazer-se Religioso. Aconteceu neste entrementes ser morto por um tiro seu sócio de negócio, e foi este o motivo por que resolveu não demorar mais a deixar o mundo.

Pela frequência dos nossos Religiosos na vila de Paratí, conheceu a Ordem Franciscana e um dia dirigiu-se ao Provincial Frei Boaventura de Jesus, pedindo-lhe por amor de Deus ser admitido. Obteve esta graça, depois de se preparar com três dias de retiro, no dia 11 de novembro de 1704, no Convento de S. Bernardino de Angra dos Reis, tendo ele 28 anos e nove meses de idade. Antes de recolher-se ao Convento, dispôs de seus haveres, satisfazendo algumas obrigações em Portugal e distribuindo o resto aos pobres e obras pias.

No noviciado assimilou tão bem a vida de Religioso Franciscano que, no dizer do cronista, se tornou veterano na prática das virtudes. Nada obstava por isso à sua profissão, que fez aos 12 de novembro do ano seguinte de 1705. Na mesma ocasião tomou o nome de Frei Fabiano de Cristo.

O recém-professo não permaneceu muito tempo em Angra dos Reis; escolheram-no os Superiores para porteiro do Convento de Sto. Antônio do Rio de Janeiro, com o que lhe deram provas de grande confiança, pois era ofício que geralmente competia a sacerdotes. Com a mesma ocupação e mais a de sacristão esteve no Convento de Cabo-Frio, mas por breve espaço de tempo.

Em 1709 foi chamado novamente para o Rio, sendo-lhe entregue o cuidado pelos doentes na grande enfermaria dos Convento, aonde se recolhiam também os Religiosos enfermos das Casas vizinhas. Foi este o lugar onde Deus quis que mais e mais se acrisolasse a sua virtude, até conduzi-la ao ápice da perfeição durante os 38 anos que serviu nesta ocupação.

Profunda, verdadeira era a sua humildade. Queria ser único a tratar as enfermidades dos Religiosos e escravos, sentia-se bem aos prestar-lhes os mais humildes serviços. Recebendo elogios, mostrava tristeza, mas quando algum doente na impaciência lhe dizia qualquer palavra dura, disfarçava como se nada tivesse ouvido e retirava-se com semblante alegre como sempre. No Capítulo das culpas era um dos primeiros a acusar suas pretensas faltas e espontaneamente descobria o pescoço para receber o castigo de açoites.

Como o servo de Deus era humilde, primava também por sua caridade e paciência. Nos anos em que era porteiro, ofício que tantas ocasiões oferece para perder a paciência, tratava os mendigos com toda a afabilidade, repartia-lhes o que tinha, ou pedia aos de fora que os socorressem e sempre os deixava consolados. Como enfermeiro, era inexcedível em suavizar sofrimentos, satisfazer os caprichos dos doentes, tivesse embora de velar toda a noite, cuidar da recepção tempestiva dos Sacramentos e consolar e confortar os moribundos.

O cronista nos deixou o seguinte o exemplo de sua invicta paciência. Certa vez, um doente, num ímpeto de forte impaciência, lhe atirou ao rosto o vasilhame, com que ficou ferido. Não se alterou, mas disse que ia buscar outro. No dia seguinte o Superior reparou nos ferimentos recebidos e pediu explicação. Frei Fabiano, então, prostrou-se a seus pés e suplicou que nada se dissesse ao ofensor.

O zelo que o santo Irmão tinha para com os doentes era conhecido também na cidade. Por este motivo gostavam de lhe remeter muitas coisas de que se tem precisão numa enfermaria bem instalada. E não só isto. Frequentemente pediam ao Guardião que o deixasse visitar os seus doentes em casa. Outras vezes levavam-nos à portaria. Conta-se que muitas vezes dava melhoras com o ungir os doentes com o óleo da lâmpada que mantinha acesa diante da bela imagem de N. Senhor dos Passos ou dar-lhes a beber da água benta que guardava num moringue. Tanto a Imagem, como a moringa, o Convento de Sto. Antônio conserva até hoje, belas recordações de um virtuoso confrade.

Em tão alto grau praticava Frei Fabiano a piedade, que só dormia duas horas. Assistia às matinas à meia noite e depois não repousava mais. Silencioso passava, então, pela enfermaria a ver se alguém precisa de seus cuidados, rezava no coro e desde a madrugada ajudava a quantas Missas pudesse.

Verdadeiro filho do seráfico Padre, o servo de Deus era pobre e penitente. Nunca na sua vida religiosa teve cela; dormia na Igreja, no coro ou num cantinho da enfermaria sobre uma esteira ou couro e para travesseiro tinha um pau. Vendo, porém, o Guardião o muito que sofria pelas chagas que trazia abertas nas pernas, mandou que se recolhesse a uma alcova. Os seus únicos trastes eram nessa os cilícios, disciplinas, rosário e agulha com linha para costurar os trapos de que necessitava para amarrar suas pernas chagadas.

Frei Apolinário da Conceição conta uma prática do virtuoso Irmão que bem nos mostra a sua encantadora simplicidade. O seu nome de batismo era João. Ora, quando vinha o dia da festa de S. João Batista, colocava sobre a cabeça uma grinalda de flores e ervas odoríferas e pedia a algum sacerdote que rezasse sobre ele o Evangelho de S. João. Assim ornado ajudava as missas e andava pelo Convento. Uns riam-se, outros censuravam, mas ele não se perturbava; acontecia também roubarem-lhe a grinalda e os seculares julgavam-se felizes em conseguirem-na para si.

Percebendo o fim de sua vida terrestre, Frei Fabiano se preparou com a recepção dos SS. Sacramentos e, abraçando com o crucifixo, faleceu no dia 17 de outubro de 1747, de uma para duas horas da tarde, tendo de idade 71 anos e 43 de Religioso franciscano.

A sua morte comoveu toda a cidade. Todos lhe queriam dar o último adeus, venerar os seus despojos mortais e levar para casa alguma relíquia. Compareceu o Bispo, o General Gomes Freire de Andrade, a nobreza e o povo sem conta . Houve uma verdadeira invasão do Convento e tornou-se preciso recorrer à polícia para restabelecer a ordem. Três vezes foi preciso vestir o corpo.

Tanta era a fama de santidade de Frei Fabiano e tão profunda a convicção nos seus Irmãos de hábito de que Deus o tinha na glória, que os Superiores trataram, logo depois da morte , de coligir os documentos para uma eventual beatificação. Os mais importantes depoimentos são do Bispo e do General sobre o que pessoalmente presenciaram de extraordinário no dia imediato ao do seu falecimento.

Trinta anos depois da morte, os despojos veneráveis foram exumados e depositados numa caixa e encerrados numa parede perto da enfermaria, onde estiveram até 1927. Hoje estão numa urna de mármore em baixo do altar de uma capela no claustro, mas acessível pela Igreja.

À beatificação não chegou até hoje, mas depois de, em 1924, se acharem os seus ossos, reviveu a confiança do povo na intercessão do Servo de Deus. Aí estão os ex-votos que cobrem as paredes da capela, para atestar quantos rendem graças por benefícios recebidos. Rara é a hora do dia que não haja devotos diante dos despojos veneráveis, e o nome do humilde enfermeiro do Convento de Sto. Antônio do Rio de Janeiro é conhecido em todo o Brasil.

– Frei Basílio Rower, O. F. M. / Frei Fabiano de Cristo – Livro: A Ordem Franciscana no Brasil. Vozes 1941

Epistula ad Catholicos amicos directa

Versão em Língua Portuguesa

De Christo centro societatis
et remedio pro novissimis temporibus

Pax et bonum.

Nobis ea adspectantibus controversa quae his diebus nostra in patria eveniunt, necessitas occurrit aliquid dicendi iis qui franciscano apostolatu spiritualiter aluntur.

Revera in temporibus vivimus in quibus nobis commodius esset reliquam nostram vitam speculationibus consumere et de nobismetipsis tantum et nostra sanctificatione curam gerere. Scimus necesse esse nos de sanctificatione nostra curam gerere ut exinde finem ultimum nostrum consequi possimus, qui finis ratio est ipsae hominis exsistentiae. Attamen novimus mediantibus doctrinis nobis traditis sanctificationem nostram non aliquid egoisticum esse, sed latius se extendere, nimirum ad omnia quae nos circumdant et tandem ad universam societatem.

Quocirca Pontifices olim ut hereditatem nobis acervum effectivarum institutionum ad efformandum magis cristocentricum universum tradiderunt. Porro cristocentrismus fundamentum est nostrae franciscanae spiritualitatis, quapropter has litteras componere decrevimus. Scimus mundus ad Christi imitationem se convertat oportere ut instituatur super verum in illo fundamentum, ad hoc autem actio requiritur (Actio Catholica). Apud nos franciscanos voluntas semper excelluit prae speculatione, immo ipsa speculatio colitur propter actionem. S. Pater Franciscus hoc expressit dicendo: Homo tanto potest quanto agit.

Propterea Apostolica inspicimus systemata in Ecclesia post Conciliabulum Vaticanum II instituta: systemata quidem speculativa et theologica, minime tamen activa. Nobis impossibile est societatem construere aptam quae adimpleat nostra desideria circa Regnum socialem Domini nostri Jesu Christi, nisi pro tanto negotio strenue adlaboremus, et idcirco non possumus non praedicare et non laudare tam pulchrum quorundam laicorum propositum praelectiones promovendi pro exponendis praeclaris documentis sanctae catholicae doctrinae de societate ejusque vera politica eruditione juxta doctrinam sanctae matris Ecclesiae. His non obstantibus multum adhuc remanet faciendum ut ad hanc strenuam actionem pertingamus, quae tam necessaria est pro expurgandis e variis societatis sectoribus fallacibus ideologiis atheisque doctrinis quae Christum e suo throno conantur detrahere ut in ejus loco brutum instituant hominem. Quapropter hac praxi jam proficiente praelectionum instituendarum de sociali Ecclesiae doctrina, in alias actiones pergere debemus, quae fundamentum habeant spiritualia et corporalia misericordiae opera. Nunc exempli gratia ostendamus idoneas actiones quibus ornentur catholica nostra opera.

Spiritualia misericordiae opera

Id notum est nobis quod eos reducere in veritatis lumen qui in errore jacent corporale opus est misericordiae, et patet expositivas praelectiones circa socialem Ecclesiae doctrinam saltem in parte id perficere. Si tamen desiderium illud ad academias eundi attingeremus, quae tot afficiuntur noxiis doctrinis, morali pravitate et plane atheo animo, quae omnia intendunt inferiores appetitus concitare tanquam ultimum finem et vitae rationem; imo si in ipsis academiis veritatem exponere possemus de hominis exsistentia et vita aeterna, quae maximum negotium est et in quo succedere debemus; tandem si juvenibus ibi degentibus possemus eorum animae salutis viam demonstrare aptatis nostris temporibus beneque dispositis methodis, nempe studiorum coetibus, sane optimas colligeremus fruges. Scimus inter nos in hac superviventi post Vaticani II vastationem Ecclesia, esse juvenes studentes qui desidiam relinquentes forsan adsidue labobare possunt in causa prout apostolico opere, ut ad salvandas animas etiam suam tribuant opem.

Corporalia misericordiae opera

Res haec his temporibus objectum facta est contentionum, quippe quae immerito communistis vel stricte philantropicis facinoribus omni supernaturali causa carentibus attributa sit. Attamen fateri debemus Ecclesiam hoc modo rem nunquam intellexisse. Imo ipsa Ecclesia talia misericordiae opera incitavit et promovit: imprimis eo quod ex secundo Domini nostri mandato devenit obligatio proximum diligendi tanquam nosmetipsos, deinde propterea ut devitaretur praesertim in saeculi vicesimi principiis fallax communismi socialibus de rebus ideologia quae conabatur ut pauperiores et indigentiores in pravam causam lucrarentur. Ecclesia statuit valetudinaria, leprosaria, hospitia, orphanata, aliaque plura opera quorum aedificia testantur Ecclesiae profectum in societatis reconditioribus et derelictioribus rebus.

Sal terrae et lux mundi

Dominus noster docet nos salem terrae et lucem mundi esse debere et salem infatuatum ad nihilumvalere. Quidam ex Ecclesiae Patribus salis saporem attribuunt sensibus externis, i. e. exteriori hominis parti, ergo actibus. Luminosam habemus doctrinam aptam quae homines ad finem ultimum perducat, sed quot sunt homines operam dantes ut hoc lumen oculis caecis prae athei perfidique mundi tenebris patefaciant? Munus hoc intelligi debet prout Dominus noster suum Salvatoris munus intellexit, videlicet opere ad quod missus fuerat perferendo usque ad extremum et mortem. Cum tamen saepe desides simus in perficiendo tam nobili munere societatem ad Christum per Ecclesiam reducendi, parum, quod facimus, intendimus justificare excusationem afferendo prae crudelibus temporibus in quibus vivimus. Ast novimus Ecclesiam suosque filios conatos esse magis facere in difficilibus quam in pacis temporibus, quapropter non sufficit praefata excusatio. Necesse est ut iterum clarescant mirabiles hae doctrinae falsis obumbratae institutionibus quae Ecclesiam habent tanquam obscurantem et indoctam, dum revera ipsa Ecclesia decurrentibus saeculis scientiarum studia favit, immo multi scientiis studentium catholici clerici fuerunt, de qua veritate hodiernis temporibus studentes minime notitiam habent, quippe quibus sublata sit opportunitas verae historiae studendi. Mediantibus socialibus actionibus ad disseminandam communistam ideologiam, pauperibus tradita est falsa sententia quae asserit communistas de pauperibus curam gerere. Minime possumus hanc fallaciam tolerare, sed ea debemus misericordiae opera perficere quae plane absurditatem et falsum destruant, et Christo suaeque Ecclesiae reddant locum apud pauperes et indigentes prout praeterita tempora comprobarunt et testata sunt.

Tandem, carissimi, sicut dicere solebat quidam Episcopus: ne decipiamur, laboremus! Multum enim remanet agendum: messis quidem nunquam tam magna et operarii nunquam tam pauci prout modo sunt, fuerunt.

Datum apud Conventum SS. Michaelis et Antonii, in festo S. Caeciliae Virginis et Martyris, anno Domini MMXXII.

P. Fr. Petrus Maria Santos de Silva, O. F. M. Sub
Guardianus Conventualis

Primeira Sexta-feira do Mês: Afetos para com o SS. Coração de Jesus

Afetos para com o Santíssimo Coração, como fonte e origem de todo o nosso bem

Deixai-me, meu Deus e meu doce Jesus, deixai-me desafogar os sentimentos do meu pobre coração, oprimido com a imensa multidão de benefícios, que do vosso tenho recebido: deixai-me falar á minha vontade; e que sem prisões o meu coração diga o que sente acerca do vosso; do vosso coração, que eu adoro, que eu recebo, que eu possuo no sacramento de amor. Oh meu doce Jesus, e que tendes vós obrado em toda a vossa vida; que tendes obrado depois que subistes ao céu glorioso, que não saístes do vosso terníssimo e amável coração? Se o vosso amor vos tem movido a obrar por mim tantas finezas, quem as obrou, senão o coração com que me amais?

Nós atribuímos ao bom coração de qualquer homem todas as suas louváveis ações; ao seu coração heroico e magnânimo atribuímos as suas proezas e generosidades; e porque razão não atribuiremos ao vosso adorável coração, como a fonte sagrada, todas as finezas, que por nós tendes obrado? Quando eu considero em qualquer passo da vossa vida; quando faço reflexão nas terníssimas expressões da Escritura, a minha alma vai logo buscar a origem, donde eles procedem, e se encontra com o vosso adorável coração. Eu o considero como um sol, despedindo para toda a parte tantos raios, quantos são os lances de amor, as finezas, a ternura, a grandeza e longanimidade, a mansidão, a liberalidade com que nos tratais, enfim os efeitos da vossa amabilidade infinita, que o fazem sobretudo digno do nosso amor, mostrando-nos o que vós sois.

Que consolação, meu Deus, é para uma alma, que isto crê, o pôr-se diante de vós no Divino Sacramento, ao menos em espírito? O pôr-se, digo, a olhar para o vosso coração, e contemplar os seus movimentos a respeito de nós? Que consolação traz consigo o refletir, que sois nosso bom e verdadeiro amigo; que amais sinceramente, e com empenho, e com firmeza, e com excesso, e com gosto, e satisfação, e regozijo de nos amar! Que júbilo traz á nossa alma o considerar no modo com que nos favoreceis! Ver as traças em que dais, as ideias nunca imaginadas; ver os meios que inventais, para que voa amemos! Senhor, eu nunca vi em ninguém finezas semelhantes ás que vós tendes obrado para atrair, suavemente nos obrigardes a que tenhamos amor. E o que mais me admira, é que neste empenho desta mais fina amizade conosco, não buscais tanto a consolação de vos verdes amado, porque não mendigais as migalhinhas do nosso frio amor, tendo o amor intensíssimo e puríssimo, que vos consagram todos os anjos, e mais que eles vossa Mãe puríssima, e mais que ela, vosso Pai Eterno: não, não é esta fome, ou sede de receber amor a que vos obriga a obrar pelo nosso coração tão constantes finezas: é o desafogardes a generosidade do vosso boníssimo coração, que quer amar só por amar; que quer que vos amemos para terdes pé e ocasião de vasar sobre nós a torrente dos vossos favores e a inundação de bens que desde a eternidade nos tendes preparado: tanto assim, que o vossos amor não descansa, até nos meter de posse do vosso reino, sentar-nos no vosso trono “Qui vicerit, dabo ei sedere mecum in throno meo, sicut ego vici, et sedi cum Patre meo in throno ejus.” (Apoc., III, 21) e fazer-nos participantes da mesma felicidade, com que sois bem-aventurado.

Eis aqui ideias do vosso coração. Bendito seja ele mil vezes. Oh! Dai-me, Senhor, que eu vos chegue a amar, como vós mereceis, ou ao menos, como eu conheço que vos devo amar. Dai-me este justo amor; e enquanto mo não dais, sai-me ao menos o veemente desejo de o ter; dai-me, meu amoroso Deus, para prova do vosso bom coração. Assim o espero.

Entretenimentos do Coração Devoto com o Santíssimo Coração de Jesus – Pelo Padre Theodoro de Almeida – I Entretenimento
Copilado por: Frei Serafim Maria, O. F. M. Sub

Princípio Fundamental da Vida Franciscana

Vésperas de Profissão Religiosa!

O sol poente, coando pelos vitrais do Capítulo, ilumina as feições dos noviços. Á luz do sol, afogueiam-se as fisionomias num arroubo juvenil; amanhã, pelos votos sagrados passarão a filhos ditosos de São Francisco. E, ajoelhados diante da comunidade, com o coração nos lábios, pedem admissão aos votos religiosos:

“Veneráveis Padre, e diletos Irmãos em Cristo, rogo-vos por amor de Deus, da Bem-aventurada Virgem Maria, do Nosso Seráfico Pai Francisco e todos os Santos, vos digneis admitir-me à profissão na Ordem Seráfica, para fazer penitência…”

FAZER PENITÊNCIA, eis a que neste magno dever vai objetivo de suas aspirações futuras. Fazer Penitência! Eis a definição do caráter da vida franciscana.

Em abono de tal convicção podem invocar o testemunho do Seráfico Pai São Francisco, o qual, recordando os desígnios de sua vida, perpetuou o seu Testamento a grata recordação: “Concedeu-me o Senhor a graça de uma vida penitente…”

Com efeito, a penitência e a abnegação são a nota dominante na Regra observada por São Francisco e os seus Filhos.

* * *

Lapidares são as palavras que abrem a nossa Regra: “A norma de vida para os Frades Menores é a observância do santo Evangelho de Jesus Cristo”. E a Regra termina exortando: “Cumpramos à risca o santo Evangelho, conforme prometemos, de todo o coração.”

Depara-se algum contrasenso entre o corpo e a epígrafe da Regra? São Francisco, para quem o Espírito Santo esclarecida o sentido das Escrituras, descobriria na penitência do âmago das prescrições evangélicas?

O Pobrezinho de Assis tinha, sem dúvida, o dom de compenetrar-se das verdades divinas. Na interpretação das Escrituras não há meios de aproximá-lo daqueles que no Evangelho procuram a boa nova de uma redenção sem sacrifícios. São Francisco, reverente aos mistérios da Escritura, afasta-se dos que fazem do Evangelho um receituário vago de amor a Deus e ao próximo.

Não resta dúvida que o Evangelho é grata mensagem da Redenção. Tomado em conjunto, porém, pressupõe nossa cooperação, para nos remir da petulância dos sentidos, do pecado que assoberba nossa fragilidade. “Completo em meu corpo o que me falta à paixão de Cristo”, diz São Paulo Apóstolo, o mais ardente pregador do Evangelho.

Nossa cooperação participa do caráter da Redenção. Esta, porém, foi um portento de abnegação e sacrifício. Para assumir a forma de servo na Incarnação, o Filho de Deus obnubilou quanto possível a sua divindade. Mais tarde, teve de abandonar a forma de servo, quando sacrificou a sua humanidade pela salvação do mundo. Não estranha, pois, que a nossa cooperação seja de caráter penitente, na estrada real da Santa Cruz.

Toda a doutrina, todos os preceitos e conselhos do Evangelho culminam na exortação à penitência: “Quem não renunciar a si mesmo, não pode ser meu discípulo”. Este princípio é o fundamental da moral evangélica.

Francisco teve a ventura de penetrar o sentido do santo Evangelho, quando fez uma ordalia, para saber qual a norma de vida que devia seguir com os seus irmãos. Com simplicidade pediu ao sacerdote que abrisse, com sua mão ungida, o santo Evangelho, por três vezes atinou com o conselho de renunciar a tudo. Na terceira vez deu com os olhos na passagem: ” Quem quiser seguir-me renegue a si mesmo e abrace sua cruz”. O Santo compreendeu, então, ter achado a fonte da sabedoria evangélica. Desvaneceram-se as dúvidas. “Eia, pois, quem quiser abandonar tudo, venha à nossa companhia”.

Quando quis tarde, ultimar a redação da Regra, começou com as palavras: ” A vida dos Frades Menores é observar o santo Evangelho de Jesus Cristo”. E as diversas prescrições da Regra, formulou-as tão conformes à penitência, como não o fizera nenhum Fundador antes dele. No fim da Regra declara não exceder-se em suas exigências impondo a observância pura e formal do santo Evangelho. “Para observarmos o Evangelho, conforme prometemos, de todo o coração”. A interpretação ascética do Evangelho, muito apreciada na Igreja de Deus, colhe seu maior triunfo na Regra de São Francisco.

* * *

Fonte: “Os Mananciais da Vida Franciscana”, Cap. 1 A Individualidade Franciscana, pelo Rev. Pe. Frei Galo Haselbeck, O. F. M. – 1933

Não Votar é Pecado Mortal?

Bofete- SP, 4 de setembro de 2022

Pax et Bonum! 

Aos caros fiéis de nossas Missões e a quem interessar, exporemos aqui nossa posição sobre as Eleições de 2022.

Após um conjunto de indagações de alguns de nossos fiéis sobre este tema complexo das eleições presidenciais de 2022, resolvemos escrever expondo nossa posição sobre tão polêmico tema, baseando-nos na Teologia Moral da Igreja para tentar esclarecer aos católicos que, já com tranquilidade de consciência, podem e devem exercer seu direito cívico. 

Três considerações básicas e reais norteiam o conteúdo desta carta:

1. Em que estado estamos, ou seja, que governo rege este nação;

2. Que princípios os católicos devem usar para corresponder os seus deveres de cidadãos;

3. Se há obrigação de exercer esse direito.

Primeira Consideração: em que estado estamos, ou seja, que governo rege este nação? 

Resposta:  É conhecido de todos que sempre louvamos a monarquia católica, como forma de governo ideal para organizar um estado. Contudo, devemos levar em consideração o que Pio XI nos ensina: a Igreja não está limitada a nenhuma forma de governo.

“Tampouco se acredita que Nossa palavra seja inspirada por sentimentos de aversão contra a nova forma de governo ou contra outras inovações puramente políticas que ocorreram recentemente na Espanha. Pois todos sabem que a Igreja Católica, não estando de modo algum ligada a uma forma de governo mais do que a outra, desde que sejam salvaguardados os direitos de Deus e a consciência cristã, não encontra dificuldade em aceitar as várias instituições civis, quer monárquicas ou republicanas, aristocráticas ou democráticas.”

(Carta Encíclica: Dilectissima Nobis – S.S. Pio XI – Sobre a injusta situação criada à Igreja Católica na Espanha – 1933).

Devemos nos dar conta da realidade em que vivemos: somos uma República federativa, já legitimada apesar do golpe de 1889. Sabemos que pela teologia moral, quando um governo, mesmo que instaurado por um golpe arbitrário é reconhecido depois de algum tempo pela nação, ele se torna legítimo e portanto, como católicos, naquilo que não vai contra os direitos Divinos e naturais, devemos obedecer. 

No seguimento deste mesmo pensamento, não podemos agir sem levar em conta a realidade em que vivemos, ainda que nossas opiniões sejam contrárias à forma de governo vigente em nosso país. Deste modo, não havendo outra realidade palpável no momento a não ser o regime de República Federativa, as nossas ações devem ser baseadas nos fatos reais e não nos supostos.

Segunda Consideração:  quais princípios os católicos devem usar para corresponder os seus deveres de cidadãos? 

Resposta: Baseando-nos, como já dissemos, no reconhecimento da realidade que nos circunda, esta mesma será utilizada em nosso discernimento sobre esta questão. Para isso, se faz necessário que procuremos minuciosamente analisar as agendas políticas dos presidenciáveis, para formar uma opinião correta e salutar, segundos os nossos princípios católicos.

Alguns teólogos nos ajudam a desenvolver o nosso discernimento a partir da teologia moral, levando em consideração situações difíceis e complexas como é o caso da que vivemos.

Prummer nos dirá no seu “Manuale Theologiae Moralis”, 2, 604.:

“Como o ato de votar é bom, é lícito votar em candidato indigno, desde que haja causa proporcional para o mal feito e o bem perdido. Essa consideração olha simplesmente para o ato de votar em si e não considera outros fatores como escândalo, encorajamento de homens indignos e má influência sobre outros eleitores. Obviamente, se algum ou todos esses outros fatores estiverem presentes, a justificativa para votar em um candidato indigno teria que ser proporcionalmente mais grave. Quase todos os teólogos modernos admitem que eleger um homem que se considera mau não é uma coisa intrinsecamente má, e, portanto, às vezes pode ser permitido por acidente para evitar males maiores.”

(PruMmer – manuale tehologiae moralis, 2, 604)

Nesta perspectiva devemos nos perguntar, tendo como base as agendas dos presidenciáveis e sua conformidade ou não com os direitos Divinos e naturais: temos causa proporcional ou não para votar no presidenciável que se aproxima mais da manutenção desses direitos? Esta é uma pergunta basilar para a formação de nosso discernimento, pois sem ela não é possível chegarmos a uma conclusão racional, de acordo com os princípios do Magistério.

Temos diante de nós de modo bem explícito a posição de algumas agendas quanto à recusa obstinada da manutenção dos direitos Divinos e naturais e, neste caso, a seleção é facilitada, não havendo argumentos para sustentar que possamos dar nosso voto a presidenciáveis em cujas agendas esta mesma recusa encontra-se presente.

Daí segue-se que o próximo passo para a seleção deve-se basear nas agendas que mais se aproximam dos direitos Divinos e naturais. Vede portanto que não sustentamos que essas mesmas agendas estejam em sua totalidade conforme aos mesmo direitos Divinos e naturais, porque infelizmente levando em consideração a realidade atual, nenhuma delas de fato estariam, mas aqui falamos de proximidade e não de totalidade. 

A seleção deve ser feita com responsabilidade e atenção, exigindo trabalho e dedicação, não podendo de modo algum ser feita de forma imprudente e impulsiva ou tendo como base teorias sustentadas no pressuposto. Aliás, em conformidade com a razão natural e segundo os moralistas, o pressuposto na realidade só existe na mente que o supôs, até que seja de fato real.

Por outro lado, também não podemos basear a nossa seleção na teoria da reconstrução advinda pelo caos social, porque sabemos que este princípio filosófico condenado de que a reconstrução vem, a priori, do caos precedente, está extremamente ligado aos princípios das sociedades secretas, já condenadas pelos Papas.

O católico deve sempre buscar reconstruir, reformar, restaurar de fato, através da ordem – e não da desordem, anarquia ou caos social. 

Para salientar ainda este princípio de seleção colocaremos aqui uma citação do Cardeal Amette, Arcebispo de Paris:

“Seria lícito lançá-los para candidatos que, embora não dando total satisfação a todas as nossas legítimas reinvindicações, nos levariam a esperar deles uma linha de conduta útil ao país, em vez de manter seus votos para aqueles cujo programa seria de fato mais perfeito, mas cuja derrota quase certa poderia abrir a porta para os inimigos da ordem religiosa e da ordem social”. 

(John A. Ryan e Francis Boland, Catholic Principles of Politicis, 207 -208).

Terceira Consideração: há obrigação de exercer esse direito?

Resposta: A esta pergunta temos como resposta o nosso último Papa, S. S. Pio XII, cujos ensinamentos não exigem sequer comentários:

“É direito e ao mesmo tempo dever essencial da Igreja instruir os fiéis por palavras e por escrito, do púlpito ou de outras formas costumeiras, sobre tudo o que diz respeito à fé e à moral ou é inconciliável com a sua doutrina e portanto inadmissível para os católicos, seja uma questão de sistemas filosóficos ou religiosos, ou de fins pretendidos por seus promotores, ou de suas concepções morais sobre a vida dos indivíduos ou da comunidade.

O exercício do direito de voto é um ato de grave responsabilidade moral, pelo menos quando se trata de eleger os que são chamados a dar ao país a sua constituição e as suas leis, nomeadamente as que dizem respeito, por exemplo, à santificação dos feriados de obrigação, o matrimônio, a família, a escola e o assentamento segundo a justiça e a equidade das múltiplas condições sociais. Cabe portanto, à Igreja explicar aos fiéis os deveres morais que derivam do direito eleitoral.” 

(Papa Pio XII, Alocução ao Sagrado Colégio dos Cardeais, 16 de março de 1946).

E ainda o Santo Padre continua já em outros discursos:

“É um direito e um dever chamar a atenção dos fiéis para a extraordinária importância das eleições e para a responsabilidade moral que recai sobre todos os que têm direito ao voto.

Sem dúvida, a Igreja pretende permanecer fora e acima dos partidos políticos, mas como pode ficar indiferente à composição de um Parlamento, quando a Constituição lhe confere o poder de aprovar leis que afetam tão diretamente os mais altos interesses religiosos e até a condição de vida da própria Igreja? Depois, há também outras questões árduas, sobretudo os problemas e as lutas econômicas que tocam de perto o bem-estar do povo. Na medida em que são de ordem temporal (embora na realidade também afetem a ordem moral), os eclesiásticos deixam a outros o cuidado de ponderar e tratar tecnicamente com eles para o bem comum da nação. De tudo isso segue que:

É um dever estrito de todos os que tem direito, homens ou mulheres, de participar das eleições. Quem se abstém, sobretudo por covardia, comete um pecado grave, uma falta mortal.

Cada um deve votar de acordo com os ditames da sua própria consciência. Ora, é evidente que a voz desta consciência impõe ao católico sincero o dever de dar o seu voto àqueles candidatos, ou listas de candidatos, que realmente oferecem garantias suficientes para salvaguardar os direitos de Deus e as almas dos homens, para o bem real dos indivíduos, das famílias, e da sociedade, segundo a lei de Deus e a doutrina moral cristã.”

(Papa Pio XII, Discurso aos Delegados da Conferência Internacional sobre Emigração, 17 de outubro de 1951).

Conclusão: Esperamos que as três considerações supracitadas, tendo como fonte da análise a sã razão, a teologia moral e o Magistério da Igreja, possam tranquilizar as nossas consciências e dirigir nossas ações para o que a Igreja espera de nós nessa situação concreta, não nos escusando de nossa responsabilidade quanto ao futuro do país, mas assumindo desde já nosso papel na tentativa sempre atual de reconstrução da civilização católica há muito já enfraquecida, ao menos em sua totalidade de valores.

Rezemos juntos para que as ideologias nocivas e condenáveis não possam continuar seu processo de infiltração em nossa sociedade ou tampouco em nós mesmos. Que Deus abençoe a todos, e que Seu Divino Espírito possa iluminar-vos em vosso discernimento tão importante e decisivo.

Em Jesus e Maria, 

Pe. Frei Pedro Maria, O. F. M. Sub

Guardião

Baixe aqui a carta do Rev. Pe. Guardião em PDF.

O Rosário converte melhor que os discursos

São Domingos de Gusmão recebendo o Rosário da Virgem Maria

Um teólogo distinto por sua ciência julgou-se autorizado a criticar a atitude de São Domingos quando este pregava o Rosário no Languedoc. “Não é,” dizia ele, “por meio da Ave Maria repetida cento e cinquenta vezes que poderemos convencer os hereges, mas sim por sábias explicações da Escritura.” A Mãe de Misericórdia compadecendo-se desse espírito transviado, dignou-se desiludi-lo por uma visão. Ele viu-se com muitas pessoas á margem de um grande rio, que era preciso atravessar e cujas águas rápidas ameaçavam traga-las. Atemorizado com o perigo, o nosso teólogo olhava em torno de si, quando avistou São Domingos, que lançou sobre o rio uma ponte, na qual se elevavam cento e cinquenta torres; depois tirando do abismo cada um dos náufragos acomodou-os nas torres, donde lhes prodigalizou toda sorte de cuidados. Finalmente levou-os a um jardim delicioso, onde a Santíssima Virgem, assentada sobre um trono deslumbrante, distribui uma coroa a todos aqueles que São Domingos lhe apresentava. Vendo is, o teólogo quis adiantar-se também para receber a sua coroa, porém Maria mostrou-lhe um rosto severo e advertiu-lhe que fosse mais dócil, mais simples na fé e que não se deixasse levar pela extravagância dos seus pensamentos.

Tendo despertado, compreendeu o culpado que o rio tão agitado representava o mundo, onde tantas almas naufragam; que a ponte lançada sobre o rio por São Domingos era a devoção do Rosário composto de cento e cinquenta Ave Marias, as quais são outras tantas torres, onde os cristãos podem encontrar um abrigo contra suas paixões e escapar do naufrágio da condenação eterna. O doutor confessou seu erro e volveu a melhores sentimentos. Tornou-se mesmo um apóstolo zeloso da devoção do santo Rosário, e reconheceu logo, por experiência, que este meio de conduzir as almas a Deus opera mais eficazmente que os mais eloquentes discursos.

São Domingos na luta contra a heresia dos Albigenses

“Tenho exercido a missão de pastor e de pregador durante muitos anos”, dizia um santo sacerdote, tenho pregado sobre todos os assuntos do melhor modo que me foi possível, nada desprezei de tudo o que podia instruir, comover e converter as almas que me eram confiadas, mas vendo que trabalhava em vão, e que o fruto de meus trabalhos não correspondia á minha expectativa, resolvi-me a fazer o sacrifício dos discursos estudados, que tinha até então recitado, para experimentar se conseguiria melhor resultado pregando simplesmente sobre a devoção do Rosário, explicando as súplicas que ele contém e os mistérios que são o seu fundamento. Eu tinha posto de lado esta excelente prática, apesar dos remorsos da minha consciência; mas confesso que em menos de um ano fizeram-se mais conversões em minha paróquia do que durante os trinta anos precedentes, quando eu recitava discursos estudados pacientemente”.

Não estão estes avisos de acordo com a doutrina de Santo Afonso, o qual recomenda aos pregadores nada inculcar tanto ás almas como grande meio da oração, e sobretudo o recurso á Mãe de Misericórdia? Convencido da eficácia do Santo Rosário, ele ordena aos seus missionários que o recitem com o povo antes do sermão da tarde, acompanhando-o de uma breve explicação dos mistérios, afim de instruir os ouvintes. A experiência tem provado que se podem tirar desta prática os frutos mais abundantes.

Procissão de Corpus Christi

Um bispo da Espanha, não conseguindo, apesar de todos os esforços de seu zelo, reprimir os depravados costumes dos seus diocesanos, teve a ideia de pregar a devoção do Santo Rosário, a exemplo de São Domingos. Tendo os fiéis abraçado este exercício, em pouco tempo contaram-se numerosas conversões. A ignorância, a impiedade, o desregramento dos costumes e outros vícios foram substituídos pela oração, pela penitência, pela frequência dos Sacramentos e pela prática de todas as virtudes cristãs. Este zeloso prelado, não podendo agradecer suficientemente a Deus pela mudança operada em sua cidade episcopal, ordenou aos vigários da sua diocese que empregassem o mesmo meio, e todos obtiveram o mesmo sucesso; o que transformou a face de toda a diocese.

Quantos exemplos de conversões individuais vem apoiar estes fatos gerais! Maria não é chamada em vão Estrela dos Mares; esta é realmente uma das significações do bendito nome. Ora, a estrela só é útil de noite, sobretudo para aqueles que estão em pleno mar.

Estes são, segundo São Boaventura, os infelizes pecadores. Caídos do navio da graça, rodeados das trevas do pecado, veem-se jogados de um para outro lado entre as ondas do século, sempre expostos ao naufrágio eterno. Para os pôr em segurança, bastaria somente exortá-los a afastarem-se de tantos perigos, e gritar-lhes com São Bernardo: “Se não quereis ser submergidos pela tempestade, olhai para a Estrela” – Isto é, considerai o que é Maria em suas grandezas, em seu poder e bondade; vede-a nos mistérios da Redenção: como ela partilha as alegrias, as dores e as glórias de seu Filho; como ela trabalha com Ele para iluminar, salvar o gênero humano perdido. Contemplai no reino dos escolhidos, coroada Rainha no mais alto dos Céus; e, admirando sua dedicação para com os homens, especialmente para com os pecadores, reanimai vossa confiança e proponde-vos invocá-la afim de que ela vos estenda uma mão protetora no meio dos perigos que vos cercam.

É deste modo que se deveria falar aos infelizes culpados para conduzi-los a Deus. Desde que os tenhamos convencidos a recorrer á Mãe de Misericórdia, á Rainha do Santo Rosário, pode-se esperar que a sua conversão seja sincera e perdurável.

Confissão

Um moço que se tinha entregado ao vício da impureza, não ousava revela-lo na confissão, e contudo aproximava-se algumas vezes da Santa Mesa. Um dia este jovem ouviu um Sermão do Padre Conrado, Dominicano e pregador do Rosário. Seu coração foi conquistado por esta devoção; fez-se inscrever na confraria e começou a tributar á Rainha do céu a homenagem de seus louvores. Ó prodígio! Apenas recitara o Rosário durante três dias, sentiu sua alma inundada repentinamente pelo sentimento de uma fé viva compunção. A lembrança dos seus desregramentos não lhe deixou desde então o mínimo repouso, e ele foi obrigado pelos remorsos a apresentar-se no tribunal da penitência para purificar-se de seus sacrilégios. O Rosário tinha-lhe proporcionado a graça de vencer a tentação da vergonha. Além disto essa devoção comunicou-lhe mais força para resistir aos assaltos de um hábito inveterado, e a calma sucedeu ás agitações de sua alma. Recuperou a paz que há muito tempo não gozava, e que é o prêmio da guerra que se faz a si próprio e ás suas paixões.

Eis o que pode o Rosário, quando é recitado com sincera resolução de emenda! Não é ele, neste sentido, o meio por excelência de converter os corações? Não é a melhor eloquência pregar sobre a prática dele e ensinar a todos os homens a recitá-lo com proveito?

Um mouro, na idade de vinte anons, filho de um príncipe turco, ficando prisioneiro num combate, foi levado para Compostela como escravo.

Reduzido a não ter senão pão e água, sem que pessoa alguma viesse curar as cruéis feridas que lhe cobriam o corpo, caiu no mais terrível desespero. Blasfemava tão horrivelmente e com tanto furor, que Deus permitiu aos demônios dele se apoderassem. São Domingos foi vê-lo, mas encontrou-o extremamente apegado ao maometismo. Á força de instâncias, o Santo chegou a ensinar-lhe a oração dominical e a saudação angélica, e assegurou-lhe que recuperaria a saúde, se recitasse o Rosário em honra de Maria. O mouro nisso consentiu, e logo que o fez os demônios o deixaram. Uma grande consolação se fez sentir em sua alma, e ele não tardou em ser curado de suas feridas. Restituído á saúde pediu para ser instruído na fé cristã e recebeu o batismo com o nome de Eliodato. Obtida a liberdade, continuou em toda sua vida, conforme o conselho de São Domingos, a recitar piedosamente o Rosário em honra de Maria.

Oh! Quantos pecadores inveterados, quantos pecadores escravizados pelo hábito, saíram de seu túmulo com o auxílio da cadeia preciosa do Rosário, que nos liberta da servidão vergonhosa das paixões e nos concilia a liberdade de filhos de Deus!

Batismo

O mouro de quem acabamos de falar, mal recitou o Pater e Ave, desejou logo ser instruído e pediu o batismo; tanto é verdade que a oração bem mais que os discursos opera conversões.

Um último traço, mais recente e que não está consignado em livro algum , acabará de nos convencer desta verdade. Há poucos anos os Padre Redentoristas pregavam uma missão na Normandia. Pelo fim dos exercícios um homem veio procurar um dos missionários e disse-lhe: “Meu Padre, tendes diante de vós o maior celerado que tem existido sobre a terra. Tenho cometido desde longos anos toda a sorte de crimes. Trabalhei mesmo para malograr esta missão, minhas impiedades, minha impurezas; impelindo as crenças, afim de atrair as maldições divinas sobre a paróquia e impedir que ela correspondesse aos vossos esforços!… Não faz ainda três dias, meu Padre, que eu vos esperei á noite em um caminho por onde deveis passar, e minha intenção era imolar-vos ao meu furor. Eu não podia suportar a ideia do bem, tanto estava depravado; hoje venho a vós completamente mudado e não sei como”. -“Não tendes sobre vós um escapulário?” Perguntou-lhe o missionário, “Uma Medalha Milagrosa ou algum outro objeto piedosos?” -“Não, meu Pai, não tenho nada.” -“Não recitais a Ave Maria ou o Terço?” – “Faz sete anos, meu Padre, que minha mãe, no momento de deixar para sempre este mundo, me chamou para perto do seu leito, e me fez prometer, como última lembrança, que recitaria todos os dias o Terço. Acedi e cumpri fielmente a minha palavra; somente uma vez estando embriagado não passei de três dezenas. Mas podeis compreender, meu Padre, á vista da vida depravada que eu levava, como não seriam bem recitados estes Terços!” – “Meu filho”, respondeu-lhe o Padre, “ficai certo que é a esta prática que deveis a vossa conversão”. O culpado confessou-se e tornou-se um cristão fervoroso. Algum tempo depois assegurou que para confessar-se cada mês com o mesmo missionário, estaria pronto a fazer três léguas a pé. Prova evidente da sinceridade de sua conversão!

Ó Maria, eu vos direi com Santo Idelfonso, vós sois aquela de quem está escrito: “Deus disse: Que a luz se faça: e a luz se fez”. Ó luz pura, bela luz, luz que resplandeces no céu, iluminai a terra, amedrontai o abismo; luz que guiais aqueles que se transviam, reanimai aqueles que desfalecem, mostrai-nos nossas máculas, erguei-nos de nossa ruínas, brilhai no meio das nossas trevas, dai saúde aos enfermos, alegria aos que choram. Iluminai os pecadores para conduzi-los á penitência, e guiai á glória eterna todos aqueles que esperam e confiam em vós.

Assim seja.

Ramalhete Espiritual

Religiosa rezando o Rosário

Recitando a Ave Maria, tenhamos a intenção de abranger todos os pecadores da terra nestas últimas palavras: “Rogai por nós, pobre pecadores – Ora pro nobis pecatoribus.”

Refere Santo Afonso, que uma senhora, achando-se ás portas da morte, não queria perdoar a seu marido a quem odiava mortalmente. Um bom sacerdote que lhe assistia, não sabendo mais que meios empregar para converte-la, pôs-se a recitar o Rosário. Chegando á última dezena, isto é, depois de ter repetido pouco mais ou menos cinquenta vezes: “Rogai por nós, pobre pecadores”, o sacerdote achou a doente transformada. Perdoou de boa vontade a seu esposo e morreu nas melhores disposições.

* * * DOCE CORAÇÃO DE MARIA, SEDE A NOSSA SALVAÇÃO! * * *

fONTE: “trinta e uma meditações sobre a excelências do santo rosário” – primeiro dia: o rosário converte melhor que os discursos – Pelo Padre Luiz bronchain, redentorista – Edição: 1913
Copilado por: Frei Serafim Maria, O. F. M. Sub

Senhora Sant’Ana

Mãe da Santíssima Virgem Maria

1º Século

Santa Ana, esposa de São Joaquim e mãe de Nossa Senhora, é a padroeira principal das Arquidioceses de São Paulo e do Rio.

Desde os primeiros séculos, a mãe da Santíssima Virgem Maria, foi venerada na Igreja Oriental. Na liturgia romana a festa foi introduzida no século XIV e XV, em correlação com a devoção à Imaculada Conceição de Maria.

Sobre os pais de Maria, não nos dizem nada os evangelhos canônicos. Sobre tal questão, diz muito sutilmente o Padre Luis Francisco de Argentan, capuchinho do século XVII:

“Se as grandezas de Maria tiveram o pai e a mãe como fontes, era necessário que aparecessem como primeiros, a fim de que espalhassem os raios da própria glória sobre ela, como o sol comunica a luz aos astros que rodeiam; todavia, esta ordem é invertida, porque a Santa Virgem recebeu toda a glória de Jesus Cristo, seu Filho, e, pois, São Joaquim e Santa Ana receberam muito maior glória da filha, pela qual esta incomparável vantagem sobre o resto dos Santos, de ser os mais próximos parentes, segundo a carne, do Salvador do mundo, uma vez que são verdadeiramente pai e mãe da Virgem Maria”.

Se os quatro inspirados evangelistas não se referiram a Santa Ana e a São Joaquim, não ficaram os pais de Maria, entretanto, totalmente apagados: três evangelhos apócrifos falam dos dois bem-aventurados Santos: o Próto-Evangelho de Tiago, o Evangelho do pseudo- Mateus e o Evangelho da Infância.

Segundo o primeiro deles, cuja composição é olhada como muitíssimo antiga, Joaquim e Ana eram piedosos e ricos israelitas da tribo de Judá, possuidores de grandes rebanhos. Não tinha filhos, e isto, para os judeus era motivo de ignomínia.

Um dia, Joaquim, que foi ao templo apresentar uma oferenda, viu-a, tristíssimo, ser recusada pelo sacerdote, justamente por causa da esterilidade da esposa. Arrasado pelo sucesso, o bom homem, ao invés de voltar para casa, com os rebanhos buscou a montanha, desesperado.

Durante cinco meses, ninguém, nem mesmo a esposa, ouviu falar de Joaquim. Desaparecera, e dele, notícia alguma chegava ao lugar em que vivia.

A dor de Ana foi imensa. Dir-se-ia que enviuvara. Mas, um dia, quando, como de costume, fazia as suas preces, um anjo apareceu-lhe, para enche-la de alegria: Joaquim, muito breve, tornaria, e ambos, novamente juntos, haveriam de ter o que tanto desejavam – um filho.

Joaquim, na montanha, também recebeu aquele enviado de Deus, que lhe prometeu a mesma alegria e lhe ordenou que descesse e voltasse para a esposa.

Quando o Santo se aproximava, tornou o anjo a visitar Ana, dizendo-lhe que o marido se avizinhava e, pois, fosse-lhe ao encontro, na Porta Dourada.

Ana, deslumbrada, toda numa alegria sem par, deixou a casa correndo e se precipitou nos braços do esposo.

Assim, exultando, voltaram para o lar, a bendizer a Deus incessantemente.

Nove meses mais tarde, nasceu-lhes uma filha – a qual deram o nome de Maria.

– – – –

Nasceu-lhes aquela Maria sublime, pela qual “grandes coisas fez Aquele que é poderoso”, aquela Maria sublime que “resplandeceu de tal abundância de dons celestes, de tal plenitude de graça e de tal inocência, que se tornou como que o milagre de Deus por excelência, ante a culminância de todos os seus milagres, e digna Mãe de Deus – de modo que, colocada, tanto quanto é possível a uma criatura, como a mais próxima de Deus, ela se tornou superior a todos os louvores dos homens e dos Anjos”, a Maria sublime que, com o auxílio divino, quebrou, inutilizou a violência e o poder da serpente.

Nasceu-lhes o Lírio entre os espinhos, a Terra absolutamente intata, virginal, ilibada, imaculada, sempre abençoada e livre de todo contágio de pecado – “da qual foi formado o novo Adão”.

Nasceu-lhes o Jardim “ordenadíssimo, esplêndido, ameníssimo, de inocência e de imortalidade, delicioso, plantado por Deus mesmo e defendido de todas as insídias da serpente venenosa”.

Nasceu-lhes o Lenho imarcescível, ” que o verme do pecado jamais corroeu”. Nasceu-lhes a Fonte sempre límpida, o Templo diviníssimo, o Escrínio da imortalidade.

Nasceu-lhes a Co-redentora dos homens, Medianeira poderosíssima, o Caminho mais seguro e mais fácil para Jesus, a que sofre por nossa causa, a Mulher vestida de sol, que tinha a lua debaixo dos seus pés e uma coroa de doze estrelas sobre a cabeça.

Que parto? “Por certo o nosso, pois que, retidos ainda neste degrêdo, carecemos de nascer para o perfeito amor de Deus e felicidade eterna. As dores do parto que nos estão a demonstrar o amor ardente com que Maria zela e trabalha, lá no céu, por suas preces incessantes, para levar o número dos eleitos à sua plenitude (Pio X).

– – – –

Quando a menina completou dois anos, Joaquim disse a Ana:

– Conduzamo-la ao Templo do Senhor, a fim de cumprir o voto que formulamos.

Ana respondeu:

– Esperemos até o terceiro ano, porque talvez a menina venha a procurar o pai e a mãe.

Joaquim concordou, dizendo:

– Esperemos.

Quando Maria entrou nos três anos de vida, foi desmamada, e Joaquim disse:

– Chamai as jovens virgens santas de Israel. Que cada qual tome uma lâmpada e a tenha acesa, para que a menina não volte atrás e seu coração não se apegue às coisas fora do Templo do Senhor.

E assim foi feito.

– – – –

A glória maior de Santa Ana reside no fato de ter sido a mãe da Imaculada. Foi esposa modelo, humilde, casta, submissa a Deus em tudo, e ao marido. Devotadíssima à filha, colaborou com a obra do Espírito Santo, para fazer frutificar os dons maravilhosos daquela alma.

Avó de Jesus! Eis uma nova, imensa glória, porque de Santa Ana veio o ser humano de Maria, e de Maria todo o ser humano de Jesus. E não foi no sei de Santa Ana que se cumpriu o mistério da Imaculada Conceição, que se deu o prelúdio da Encarnação e da Redenção? Maria, por uma aplicação antecipada do sacrifício de Jesus, não foi a primeira alma resgatada, e, assim, a primeira vitória de seu Filho? Tudo se cumpriu no seio de Santa Ana. E “tudo o que podia ficar profanado, maculado na herança carnal dos reis de Judá, escreveu Osbet de Clare, beneditino inglês, foi inteiramente purificado na carne santa da gloriosa e bem-aventurada Ana”.

– – – –

A iconografia da Santa Mãe de Maria seguiu fielmente os progressos da ciência teológica. Até o século XIII, os artistas representaram-na naquela cena comovente que se efetuou na Porta Dourada.

A partir daquele século, com o avanço da crença na Imaculada Conceição, novos temas surgiram. No fim da Idade Média, tendo apreendido dos místicos que Jesus conhecera sua avó aqui na terra, os artistas entraram a representá-lo entre ela e Maria. Assim apareceram as mais belas obras em que figura Santa Ana: a do Mestre Francofort, no museu de Berlim; a de Leonardo da Vinci, no Louvre; a de Quentin Metsys, em Bruxelas, e a do Mestre da Sagrada Família, em Colônia.

Curiosas as esculturas que representam Santa Ana levando ao colo a Maria, que por sua vez, traz consigo, nos braços, o divino Filho.

A mais comum das representações, todavia, é a da Santa tendo a Filha pela mão, mostrando-lhe o livro da Lei, sempre sóbria, de rosto grave, mas o sereno, doce e benfazejo rosto das avós.

FONTE: VIDA DOS SANTOS – 6 de julho: santa ana, mãe de nossa senhora – PADRE ROHRBACHER – III VOLUME – 1952

Nossa Senhora do Monte Carmelo – 16 de julho

Nossa Senhora do Carmo – Pintura por Pietro Novelli

A comemoração de Nossa Senhora do Monte Carmelo, ou Nossa Senhora do Carmo, foi instituída pelos carmelos entre 1376 e 1386, para celebrar a aprovação da regra daqueles religiosos pelo Papa Honório III.

O dia 16 de julho evoca, segundo a tradição dos carmelos, uma aparição de Nossa senhora a São Simão Stock, para lhe dar o escapulário.

No princípio do século XVII, o dia 16 tornou-se como a festa do Escapulário, que o Papa Bento XIII estendeu por toda a Igreja do universo.

O intróito utiliza o de Santa Ágata e poderia ser de origem grega. “Rejubilemo-nos no Senhor, celebrando a festa em honra da bem-aventurada virgem Maria”, porque Ela é a “causa da nossa alegria,” pois foi quem nos deu Jesus Cristo, nosso Salvador.

A coleta recorda que a ordem do carmelo recebeu o título de Maria. A Epístola é tirada do Eclesiástico, e diz:

Como a vide lancei flores de um agradável cheiro; e as minhas flores dão frutos de glória e de riqueza. Eu sou a mãe do amor formoso, do temor, da ciência e da santa esperança. Em mim há toda a graça do caminho e da verdade, em mim toda a esperança da vida e da virtude. Vinde a mim todos os que desejais, e enchei-vos dos meus frutos. Porque o meu espírito é mais doce do que o mel, e possuir-me é mais agradável que o favo de mel. A minha memória durará por toda a série dos séculos. Os que me comem terão ainda fome, e os que me bebem terão ainda sede. Aquele que me ouve não será confundido, e os que agem por mim não pecarão. Aqueles que me tornam conhecida terão a vida eterna.”

Virgem do Monte Carmelo

O responso-gradual é o da Visitação. O versículo aleluítico canta a Mãe de Deus que restitui aos homens a vida perdida. O evangelho é um fragmento do evangelho do terceiro domingo da Quaresma, e o versículo do ofertório adaptado de Jeremias: suplicar à Virgem para que seja nossa advogada. A secreta pede para que nossas ofertas sejam salutares, graças à Mãe de Deus. A antífona da comunhão implora a intercessão da Rainha do mundo, e a pós-comunhão deseja ajuda, proteção e concórdia, graças à Mãe de Deus.

Fonte: Vida dos Santos – Padre Rohrbacher – III Volume – 1959

NOTICIA SUCINTAS SOBRE A ORDEM TERCEIRA DE S. FRANCISCO

O que é a Ordem Terceira?

Beato Luquésio e sua esposa Buonadona, primeiros Terciários.


Em 1208, tinha S. Francisco de Assis fundado a Ordem dos Irmãos Menores, que denominaram mais tarde com o seu nome (latino: “Franciscus”) Franciscanos. Foi a sua “primeira’* Ordem. Em 1212 foi S. Clara de Assis revestida por ele com a libré da pobreza, tornando-se a mãe das “Damas Pobres” ou Clarissas. Era a “segunda” Ordem de S. Francisco. Mas estava dado o impulso. De toda parte acudiam a se alistar na milícia de um Santo, cuja simples aparência dava desejo de trabalhar para a salvação. Não queria, entretanto, Francisco despovoar a sociedade! E depois, tantas almas, retidas no mundo pelos seus deveres de estado, desejavam viver da vida do claustro! Foi para estas almas, desejosas da perfeição cristã, que Francisco fundou a sua “terceira” Ordem, a Ordem Terceira da Penitência. Todos aqueles que quiserem ser verdadeiros cristãos poderão fazer parte dela, quer presos ou não ao estado do Matrimônio.

Qual a vantagem de se alistar na Ordem Terceira?

São as seguintes: 1ª Ela foi instituída por um Santo que tinha recebido do Céu a missão de regenerar o mundo e torná-lo cristão. É o que a Igreja assegura na oração da sua Festa. Ora, foi sobretudo pela Ordem Terceira que S. Francisco infiltrou o espírito cristão nas multidões.

2ª Pelos frutos se deve julgar a árvore, e, no testemunho de muitos Soberanos Pontífices, a Ordem Terceira foi para os séculos que seguiram a sua instituição, uma verdadeira regeneração social. É fato que até hoje conta mais de 300 Santos ou Bem-aventurados.

3ª Ela dá direito a uma proteção especial dos inúmeros Santos das três Ordens de S. Francisco, e a uma mais abundante participação aos frutos das orações, sacrifícios, penitências, trabalhos de toda sorte de cerca de 42.000 Franciscanos da 1ª Ordem, de muitos milhares de Clarissas e de número incalculável de Terceiros.

4ª Os Soberanos Pontífices convidam instantemente os fiéis a entrarem nesta santa milícia. Leão XIII recomenda entrar na Ordem Terceira em quatro Encíclicas endereçadas a toda a Igreja.

5ª Hoje os homens se julgam cristãos, sem ter o espírito de Jesus Cristo. Ora, a graça da Ordem Terceira dá coragem de viver como verdadeiro cristão, de renunciar às máximas do mundo e aos seus costumes anticristãos.

6ª Acrescentem-se a estes motivos os inúmeros privilégios, indulgências, etc., com que aprouve aos Soberanos Pontífices enriquecer a Ordem Terceira de S. Francisco.

Quais são as Obrigações da Regra da Ordem Terceira?

I. Todos os dias. — 1) Rezar doze Padre-Nossos, Ave-Marias e Glória ao Padre, ou então o Ofício Pequeno da Santíssima Virgem, ou o Breviário. 2) Invocar a Deus antes e depois das refeições. 2) Fazer todas as noites, o exame de consciência e pedir perdão a Deus. 4) Ouvir a Missa, “se for possível fazê-lo comodamente”.

II. Todos os meses. — 1) Confessar-se e comungar. 2) Assistir à reunião da Fraternidade, quando se faz parte dela. 3) Dar, segundo os meios, para os Terceiros pobres e doentes, assim como para a capela onde se fazem as reuniões.

III. Todos os anos. — 1) Jejuar no dia 3 de outubro, vigília da festa do Santo Patriarca, e no dia 7 de dezembro, vigília da Imaculada Conceição. 2) Cumprir a satisfação imposta pelo Visitador da Fraternidade pelas transgressões cometidas contra a Regra.

IV. Em todos os tempos. — 1) Usar o hábito da Ordem Terceira: escapulário e corda. 2) Observar, segundo as promessas da Profissão, os mandamentos de Deus e da Regra. 3) Evitar o luxo no vestuário e a elegância mundana. 4) Fugir dos bailes, dos espetáculos perigosos, e de toda assembleia onde o pudor não for acatado. 5) Ser frugal nas bebidas e comidas. 6) Dar o bom exemplo na sua família. 7) Proibir-se, e aos seus subordinados, a leitura dos maus livros e jornais perigosos. 8) Entreter a paz e a caridade com todos e apaziguar discórdias. 9) Não prestar juramento, a menos de necessidade evidente. 10) Não usar linguagem chula, chocarreira ou vil. 11) Nas Fraternidades, aceitar os cargos com humildade e exercê-los com zelo, 12) Em ocasião de morte de cada Terceiro, assistir aos funerais, se for possível; rezar o rosário e fazer a Comunhão na intenção dele.

V. Quando se puder. — Fazer o testamento, a fim de evitar as preocupações no momento da morte e as questões entre os herdeiros.

Observação Importante:

Na Regra da Ordem Terceira nada obriga “sob pena de pecado” , mesmo venial, a não ser nos pontos em que a Regra coincide com a lei divina. Quanto ao jejum e abstinência já se vê que os mesmos motivos que dispensam de abstinência e jejum da Igreja, com mais razão dispensam das penitências impostas pela Regra.

Irmãos e Irmãs da Venerável Ordem Terceira Franciscana, venerando o Santo Sepulcro – em Recife/PE

Jesus Cristo seja louvado! Para sempre! Amém!

Texto extraído do livro: O Espírito da Ordem Terceira Franciscana” por Padre Frei Pedro Batista Gimet, O. F. M. – Tradução de M. Neves – Editora Vozes – 1944