Princípio Fundamental da Vida Franciscana

Vésperas de Profissão Religiosa!

O sol poente, coando pelos vitrais do Capítulo, ilumina as feições dos noviços. Á luz do sol, afogueiam-se as fisionomias num arroubo juvenil; amanhã, pelos votos sagrados passarão a filhos ditosos de São Francisco. E, ajoelhados diante da comunidade, com o coração nos lábios, pedem admissão aos votos religiosos:

“Veneráveis Padre, e diletos Irmãos em Cristo, rogo-vos por amor de Deus, da Bem-aventurada Virgem Maria, do Nosso Seráfico Pai Francisco e todos os Santos, vos digneis admitir-me à profissão na Ordem Seráfica, para fazer penitência…”

FAZER PENITÊNCIA, eis a que neste magno dever vai objetivo de suas aspirações futuras. Fazer Penitência! Eis a definição do caráter da vida franciscana.

Em abono de tal convicção podem invocar o testemunho do Seráfico Pai São Francisco, o qual, recordando os desígnios de sua vida, perpetuou o seu Testamento a grata recordação: “Concedeu-me o Senhor a graça de uma vida penitente…”

Com efeito, a penitência e a abnegação são a nota dominante na Regra observada por São Francisco e os seus Filhos.

* * *

Lapidares são as palavras que abrem a nossa Regra: “A norma de vida para os Frades Menores é a observância do santo Evangelho de Jesus Cristo”. E a Regra termina exortando: “Cumpramos à risca o santo Evangelho, conforme prometemos, de todo o coração.”

Depara-se algum contrasenso entre o corpo e a epígrafe da Regra? São Francisco, para quem o Espírito Santo esclarecida o sentido das Escrituras, descobriria na penitência do âmago das prescrições evangélicas?

O Pobrezinho de Assis tinha, sem dúvida, o dom de compenetrar-se das verdades divinas. Na interpretação das Escrituras não há meios de aproximá-lo daqueles que no Evangelho procuram a boa nova de uma redenção sem sacrifícios. São Francisco, reverente aos mistérios da Escritura, afasta-se dos que fazem do Evangelho um receituário vago de amor a Deus e ao próximo.

Não resta dúvida que o Evangelho é grata mensagem da Redenção. Tomado em conjunto, porém, pressupõe nossa cooperação, para nos remir da petulância dos sentidos, do pecado que assoberba nossa fragilidade. “Completo em meu corpo o que me falta à paixão de Cristo”, diz São Paulo Apóstolo, o mais ardente pregador do Evangelho.

Nossa cooperação participa do caráter da Redenção. Esta, porém, foi um portento de abnegação e sacrifício. Para assumir a forma de servo na Incarnação, o Filho de Deus obnubilou quanto possível a sua divindade. Mais tarde, teve de abandonar a forma de servo, quando sacrificou a sua humanidade pela salvação do mundo. Não estranha, pois, que a nossa cooperação seja de caráter penitente, na estrada real da Santa Cruz.

Toda a doutrina, todos os preceitos e conselhos do Evangelho culminam na exortação à penitência: “Quem não renunciar a si mesmo, não pode ser meu discípulo”. Este princípio é o fundamental da moral evangélica.

Francisco teve a ventura de penetrar o sentido do santo Evangelho, quando fez uma ordalia, para saber qual a norma de vida que devia seguir com os seus irmãos. Com simplicidade pediu ao sacerdote que abrisse, com sua mão ungida, o santo Evangelho, por três vezes atinou com o conselho de renunciar a tudo. Na terceira vez deu com os olhos na passagem: ” Quem quiser seguir-me renegue a si mesmo e abrace sua cruz”. O Santo compreendeu, então, ter achado a fonte da sabedoria evangélica. Desvaneceram-se as dúvidas. “Eia, pois, quem quiser abandonar tudo, venha à nossa companhia”.

Quando quis tarde, ultimar a redação da Regra, começou com as palavras: ” A vida dos Frades Menores é observar o santo Evangelho de Jesus Cristo”. E as diversas prescrições da Regra, formulou-as tão conformes à penitência, como não o fizera nenhum Fundador antes dele. No fim da Regra declara não exceder-se em suas exigências impondo a observância pura e formal do santo Evangelho. “Para observarmos o Evangelho, conforme prometemos, de todo o coração”. A interpretação ascética do Evangelho, muito apreciada na Igreja de Deus, colhe seu maior triunfo na Regra de São Francisco.

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Fonte: “Os Mananciais da Vida Franciscana”, Cap. 1 A Individualidade Franciscana, pelo Rev. Pe. Frei Galo Haselbeck, O. F. M. – 1933

Não Votar é Pecado Mortal?

Bofete- SP, 4 de setembro de 2022

Pax et Bonum! 

Aos caros fiéis de nossas Missões e a quem interessar, exporemos aqui nossa posição sobre as Eleições de 2022.

Após um conjunto de indagações de alguns de nossos fiéis sobre este tema complexo das eleições presidenciais de 2022, resolvemos escrever expondo nossa posição sobre tão polêmico tema, baseando-nos na Teologia Moral da Igreja para tentar esclarecer aos católicos que, já com tranquilidade de consciência, podem e devem exercer seu direito cívico. 

Três considerações básicas e reais norteiam o conteúdo desta carta:

1. Em que estado estamos, ou seja, que governo rege este nação;

2. Que princípios os católicos devem usar para corresponder os seus deveres de cidadãos;

3. Se há obrigação de exercer esse direito.

Primeira Consideração: em que estado estamos, ou seja, que governo rege este nação? 

Resposta:  É conhecido de todos que sempre louvamos a monarquia católica, como forma de governo ideal para organizar um estado. Contudo, devemos levar em consideração o que Pio XI nos ensina: a Igreja não está limitada a nenhuma forma de governo.

“Tampouco se acredita que Nossa palavra seja inspirada por sentimentos de aversão contra a nova forma de governo ou contra outras inovações puramente políticas que ocorreram recentemente na Espanha. Pois todos sabem que a Igreja Católica, não estando de modo algum ligada a uma forma de governo mais do que a outra, desde que sejam salvaguardados os direitos de Deus e a consciência cristã, não encontra dificuldade em aceitar as várias instituições civis, quer monárquicas ou republicanas, aristocráticas ou democráticas.”

(Carta Encíclica: Dilectissima Nobis – S.S. Pio XI – Sobre a injusta situação criada à Igreja Católica na Espanha – 1933).

Devemos nos dar conta da realidade em que vivemos: somos uma República federativa, já legitimada apesar do golpe de 1889. Sabemos que pela teologia moral, quando um governo, mesmo que instaurado por um golpe arbitrário é reconhecido depois de algum tempo pela nação, ele se torna legítimo e portanto, como católicos, naquilo que não vai contra os direitos Divinos e naturais, devemos obedecer. 

No seguimento deste mesmo pensamento, não podemos agir sem levar em conta a realidade em que vivemos, ainda que nossas opiniões sejam contrárias à forma de governo vigente em nosso país. Deste modo, não havendo outra realidade palpável no momento a não ser o regime de República Federativa, as nossas ações devem ser baseadas nos fatos reais e não nos supostos.

Segunda Consideração:  quais princípios os católicos devem usar para corresponder os seus deveres de cidadãos? 

Resposta: Baseando-nos, como já dissemos, no reconhecimento da realidade que nos circunda, esta mesma será utilizada em nosso discernimento sobre esta questão. Para isso, se faz necessário que procuremos minuciosamente analisar as agendas políticas dos presidenciáveis, para formar uma opinião correta e salutar, segundos os nossos princípios católicos.

Alguns teólogos nos ajudam a desenvolver o nosso discernimento a partir da teologia moral, levando em consideração situações difíceis e complexas como é o caso da que vivemos.

Prummer nos dirá no seu “Manuale Theologiae Moralis”, 2, 604.:

“Como o ato de votar é bom, é lícito votar em candidato indigno, desde que haja causa proporcional para o mal feito e o bem perdido. Essa consideração olha simplesmente para o ato de votar em si e não considera outros fatores como escândalo, encorajamento de homens indignos e má influência sobre outros eleitores. Obviamente, se algum ou todos esses outros fatores estiverem presentes, a justificativa para votar em um candidato indigno teria que ser proporcionalmente mais grave. Quase todos os teólogos modernos admitem que eleger um homem que se considera mau não é uma coisa intrinsecamente má, e, portanto, às vezes pode ser permitido por acidente para evitar males maiores.”

(PruMmer – manuale tehologiae moralis, 2, 604)

Nesta perspectiva devemos nos perguntar, tendo como base as agendas dos presidenciáveis e sua conformidade ou não com os direitos Divinos e naturais: temos causa proporcional ou não para votar no presidenciável que se aproxima mais da manutenção desses direitos? Esta é uma pergunta basilar para a formação de nosso discernimento, pois sem ela não é possível chegarmos a uma conclusão racional, de acordo com os princípios do Magistério.

Temos diante de nós de modo bem explícito a posição de algumas agendas quanto à recusa obstinada da manutenção dos direitos Divinos e naturais e, neste caso, a seleção é facilitada, não havendo argumentos para sustentar que possamos dar nosso voto a presidenciáveis em cujas agendas esta mesma recusa encontra-se presente.

Daí segue-se que o próximo passo para a seleção deve-se basear nas agendas que mais se aproximam dos direitos Divinos e naturais. Vede portanto que não sustentamos que essas mesmas agendas estejam em sua totalidade conforme aos mesmo direitos Divinos e naturais, porque infelizmente levando em consideração a realidade atual, nenhuma delas de fato estariam, mas aqui falamos de proximidade e não de totalidade. 

A seleção deve ser feita com responsabilidade e atenção, exigindo trabalho e dedicação, não podendo de modo algum ser feita de forma imprudente e impulsiva ou tendo como base teorias sustentadas no pressuposto. Aliás, em conformidade com a razão natural e segundo os moralistas, o pressuposto na realidade só existe na mente que o supôs, até que seja de fato real.

Por outro lado, também não podemos basear a nossa seleção na teoria da reconstrução advinda pelo caos social, porque sabemos que este princípio filosófico condenado de que a reconstrução vem, a priori, do caos precedente, está extremamente ligado aos princípios das sociedades secretas, já condenadas pelos Papas.

O católico deve sempre buscar reconstruir, reformar, restaurar de fato, através da ordem – e não da desordem, anarquia ou caos social. 

Para salientar ainda este princípio de seleção colocaremos aqui uma citação do Cardeal Amette, Arcebispo de Paris:

“Seria lícito lançá-los para candidatos que, embora não dando total satisfação a todas as nossas legítimas reinvindicações, nos levariam a esperar deles uma linha de conduta útil ao país, em vez de manter seus votos para aqueles cujo programa seria de fato mais perfeito, mas cuja derrota quase certa poderia abrir a porta para os inimigos da ordem religiosa e da ordem social”. 

(John A. Ryan e Francis Boland, Catholic Principles of Politicis, 207 -208).

Terceira Consideração: há obrigação de exercer esse direito?

Resposta: A esta pergunta temos como resposta o nosso último Papa, S. S. Pio XII, cujos ensinamentos não exigem sequer comentários:

“É direito e ao mesmo tempo dever essencial da Igreja instruir os fiéis por palavras e por escrito, do púlpito ou de outras formas costumeiras, sobre tudo o que diz respeito à fé e à moral ou é inconciliável com a sua doutrina e portanto inadmissível para os católicos, seja uma questão de sistemas filosóficos ou religiosos, ou de fins pretendidos por seus promotores, ou de suas concepções morais sobre a vida dos indivíduos ou da comunidade.

O exercício do direito de voto é um ato de grave responsabilidade moral, pelo menos quando se trata de eleger os que são chamados a dar ao país a sua constituição e as suas leis, nomeadamente as que dizem respeito, por exemplo, à santificação dos feriados de obrigação, o matrimônio, a família, a escola e o assentamento segundo a justiça e a equidade das múltiplas condições sociais. Cabe portanto, à Igreja explicar aos fiéis os deveres morais que derivam do direito eleitoral.” 

(Papa Pio XII, Alocução ao Sagrado Colégio dos Cardeais, 16 de março de 1946).

E ainda o Santo Padre continua já em outros discursos:

“É um direito e um dever chamar a atenção dos fiéis para a extraordinária importância das eleições e para a responsabilidade moral que recai sobre todos os que têm direito ao voto.

Sem dúvida, a Igreja pretende permanecer fora e acima dos partidos políticos, mas como pode ficar indiferente à composição de um Parlamento, quando a Constituição lhe confere o poder de aprovar leis que afetam tão diretamente os mais altos interesses religiosos e até a condição de vida da própria Igreja? Depois, há também outras questões árduas, sobretudo os problemas e as lutas econômicas que tocam de perto o bem-estar do povo. Na medida em que são de ordem temporal (embora na realidade também afetem a ordem moral), os eclesiásticos deixam a outros o cuidado de ponderar e tratar tecnicamente com eles para o bem comum da nação. De tudo isso segue que:

É um dever estrito de todos os que tem direito, homens ou mulheres, de participar das eleições. Quem se abstém, sobretudo por covardia, comete um pecado grave, uma falta mortal.

Cada um deve votar de acordo com os ditames da sua própria consciência. Ora, é evidente que a voz desta consciência impõe ao católico sincero o dever de dar o seu voto àqueles candidatos, ou listas de candidatos, que realmente oferecem garantias suficientes para salvaguardar os direitos de Deus e as almas dos homens, para o bem real dos indivíduos, das famílias, e da sociedade, segundo a lei de Deus e a doutrina moral cristã.”

(Papa Pio XII, Discurso aos Delegados da Conferência Internacional sobre Emigração, 17 de outubro de 1951).

Conclusão: Esperamos que as três considerações supracitadas, tendo como fonte da análise a sã razão, a teologia moral e o Magistério da Igreja, possam tranquilizar as nossas consciências e dirigir nossas ações para o que a Igreja espera de nós nessa situação concreta, não nos escusando de nossa responsabilidade quanto ao futuro do país, mas assumindo desde já nosso papel na tentativa sempre atual de reconstrução da civilização católica há muito já enfraquecida, ao menos em sua totalidade de valores.

Rezemos juntos para que as ideologias nocivas e condenáveis não possam continuar seu processo de infiltração em nossa sociedade ou tampouco em nós mesmos. Que Deus abençoe a todos, e que Seu Divino Espírito possa iluminar-vos em vosso discernimento tão importante e decisivo.

Em Jesus e Maria, 

Pe. Frei Pedro Maria, O. F. M. Sub

Guardião

Baixe aqui a carta do Rev. Pe. Guardião em PDF.

O Rosário converte melhor que os discursos

São Domingos de Gusmão recebendo o Rosário da Virgem Maria

Um teólogo distinto por sua ciência julgou-se autorizado a criticar a atitude de São Domingos quando este pregava o Rosário no Languedoc. “Não é,” dizia ele, “por meio da Ave Maria repetida cento e cinquenta vezes que poderemos convencer os hereges, mas sim por sábias explicações da Escritura.” A Mãe de Misericórdia compadecendo-se desse espírito transviado, dignou-se desiludi-lo por uma visão. Ele viu-se com muitas pessoas á margem de um grande rio, que era preciso atravessar e cujas águas rápidas ameaçavam traga-las. Atemorizado com o perigo, o nosso teólogo olhava em torno de si, quando avistou São Domingos, que lançou sobre o rio uma ponte, na qual se elevavam cento e cinquenta torres; depois tirando do abismo cada um dos náufragos acomodou-os nas torres, donde lhes prodigalizou toda sorte de cuidados. Finalmente levou-os a um jardim delicioso, onde a Santíssima Virgem, assentada sobre um trono deslumbrante, distribui uma coroa a todos aqueles que São Domingos lhe apresentava. Vendo is, o teólogo quis adiantar-se também para receber a sua coroa, porém Maria mostrou-lhe um rosto severo e advertiu-lhe que fosse mais dócil, mais simples na fé e que não se deixasse levar pela extravagância dos seus pensamentos.

Tendo despertado, compreendeu o culpado que o rio tão agitado representava o mundo, onde tantas almas naufragam; que a ponte lançada sobre o rio por São Domingos era a devoção do Rosário composto de cento e cinquenta Ave Marias, as quais são outras tantas torres, onde os cristãos podem encontrar um abrigo contra suas paixões e escapar do naufrágio da condenação eterna. O doutor confessou seu erro e volveu a melhores sentimentos. Tornou-se mesmo um apóstolo zeloso da devoção do santo Rosário, e reconheceu logo, por experiência, que este meio de conduzir as almas a Deus opera mais eficazmente que os mais eloquentes discursos.

São Domingos na luta contra a heresia dos Albigenses

“Tenho exercido a missão de pastor e de pregador durante muitos anos”, dizia um santo sacerdote, tenho pregado sobre todos os assuntos do melhor modo que me foi possível, nada desprezei de tudo o que podia instruir, comover e converter as almas que me eram confiadas, mas vendo que trabalhava em vão, e que o fruto de meus trabalhos não correspondia á minha expectativa, resolvi-me a fazer o sacrifício dos discursos estudados, que tinha até então recitado, para experimentar se conseguiria melhor resultado pregando simplesmente sobre a devoção do Rosário, explicando as súplicas que ele contém e os mistérios que são o seu fundamento. Eu tinha posto de lado esta excelente prática, apesar dos remorsos da minha consciência; mas confesso que em menos de um ano fizeram-se mais conversões em minha paróquia do que durante os trinta anos precedentes, quando eu recitava discursos estudados pacientemente”.

Não estão estes avisos de acordo com a doutrina de Santo Afonso, o qual recomenda aos pregadores nada inculcar tanto ás almas como grande meio da oração, e sobretudo o recurso á Mãe de Misericórdia? Convencido da eficácia do Santo Rosário, ele ordena aos seus missionários que o recitem com o povo antes do sermão da tarde, acompanhando-o de uma breve explicação dos mistérios, afim de instruir os ouvintes. A experiência tem provado que se podem tirar desta prática os frutos mais abundantes.

Procissão de Corpus Christi

Um bispo da Espanha, não conseguindo, apesar de todos os esforços de seu zelo, reprimir os depravados costumes dos seus diocesanos, teve a ideia de pregar a devoção do Santo Rosário, a exemplo de São Domingos. Tendo os fiéis abraçado este exercício, em pouco tempo contaram-se numerosas conversões. A ignorância, a impiedade, o desregramento dos costumes e outros vícios foram substituídos pela oração, pela penitência, pela frequência dos Sacramentos e pela prática de todas as virtudes cristãs. Este zeloso prelado, não podendo agradecer suficientemente a Deus pela mudança operada em sua cidade episcopal, ordenou aos vigários da sua diocese que empregassem o mesmo meio, e todos obtiveram o mesmo sucesso; o que transformou a face de toda a diocese.

Quantos exemplos de conversões individuais vem apoiar estes fatos gerais! Maria não é chamada em vão Estrela dos Mares; esta é realmente uma das significações do bendito nome. Ora, a estrela só é útil de noite, sobretudo para aqueles que estão em pleno mar.

Estes são, segundo São Boaventura, os infelizes pecadores. Caídos do navio da graça, rodeados das trevas do pecado, veem-se jogados de um para outro lado entre as ondas do século, sempre expostos ao naufrágio eterno. Para os pôr em segurança, bastaria somente exortá-los a afastarem-se de tantos perigos, e gritar-lhes com São Bernardo: “Se não quereis ser submergidos pela tempestade, olhai para a Estrela” – Isto é, considerai o que é Maria em suas grandezas, em seu poder e bondade; vede-a nos mistérios da Redenção: como ela partilha as alegrias, as dores e as glórias de seu Filho; como ela trabalha com Ele para iluminar, salvar o gênero humano perdido. Contemplai no reino dos escolhidos, coroada Rainha no mais alto dos Céus; e, admirando sua dedicação para com os homens, especialmente para com os pecadores, reanimai vossa confiança e proponde-vos invocá-la afim de que ela vos estenda uma mão protetora no meio dos perigos que vos cercam.

É deste modo que se deveria falar aos infelizes culpados para conduzi-los a Deus. Desde que os tenhamos convencidos a recorrer á Mãe de Misericórdia, á Rainha do Santo Rosário, pode-se esperar que a sua conversão seja sincera e perdurável.

Confissão

Um moço que se tinha entregado ao vício da impureza, não ousava revela-lo na confissão, e contudo aproximava-se algumas vezes da Santa Mesa. Um dia este jovem ouviu um Sermão do Padre Conrado, Dominicano e pregador do Rosário. Seu coração foi conquistado por esta devoção; fez-se inscrever na confraria e começou a tributar á Rainha do céu a homenagem de seus louvores. Ó prodígio! Apenas recitara o Rosário durante três dias, sentiu sua alma inundada repentinamente pelo sentimento de uma fé viva compunção. A lembrança dos seus desregramentos não lhe deixou desde então o mínimo repouso, e ele foi obrigado pelos remorsos a apresentar-se no tribunal da penitência para purificar-se de seus sacrilégios. O Rosário tinha-lhe proporcionado a graça de vencer a tentação da vergonha. Além disto essa devoção comunicou-lhe mais força para resistir aos assaltos de um hábito inveterado, e a calma sucedeu ás agitações de sua alma. Recuperou a paz que há muito tempo não gozava, e que é o prêmio da guerra que se faz a si próprio e ás suas paixões.

Eis o que pode o Rosário, quando é recitado com sincera resolução de emenda! Não é ele, neste sentido, o meio por excelência de converter os corações? Não é a melhor eloquência pregar sobre a prática dele e ensinar a todos os homens a recitá-lo com proveito?

Um mouro, na idade de vinte anons, filho de um príncipe turco, ficando prisioneiro num combate, foi levado para Compostela como escravo.

Reduzido a não ter senão pão e água, sem que pessoa alguma viesse curar as cruéis feridas que lhe cobriam o corpo, caiu no mais terrível desespero. Blasfemava tão horrivelmente e com tanto furor, que Deus permitiu aos demônios dele se apoderassem. São Domingos foi vê-lo, mas encontrou-o extremamente apegado ao maometismo. Á força de instâncias, o Santo chegou a ensinar-lhe a oração dominical e a saudação angélica, e assegurou-lhe que recuperaria a saúde, se recitasse o Rosário em honra de Maria. O mouro nisso consentiu, e logo que o fez os demônios o deixaram. Uma grande consolação se fez sentir em sua alma, e ele não tardou em ser curado de suas feridas. Restituído á saúde pediu para ser instruído na fé cristã e recebeu o batismo com o nome de Eliodato. Obtida a liberdade, continuou em toda sua vida, conforme o conselho de São Domingos, a recitar piedosamente o Rosário em honra de Maria.

Oh! Quantos pecadores inveterados, quantos pecadores escravizados pelo hábito, saíram de seu túmulo com o auxílio da cadeia preciosa do Rosário, que nos liberta da servidão vergonhosa das paixões e nos concilia a liberdade de filhos de Deus!

Batismo

O mouro de quem acabamos de falar, mal recitou o Pater e Ave, desejou logo ser instruído e pediu o batismo; tanto é verdade que a oração bem mais que os discursos opera conversões.

Um último traço, mais recente e que não está consignado em livro algum , acabará de nos convencer desta verdade. Há poucos anos os Padre Redentoristas pregavam uma missão na Normandia. Pelo fim dos exercícios um homem veio procurar um dos missionários e disse-lhe: “Meu Padre, tendes diante de vós o maior celerado que tem existido sobre a terra. Tenho cometido desde longos anos toda a sorte de crimes. Trabalhei mesmo para malograr esta missão, minhas impiedades, minha impurezas; impelindo as crenças, afim de atrair as maldições divinas sobre a paróquia e impedir que ela correspondesse aos vossos esforços!… Não faz ainda três dias, meu Padre, que eu vos esperei á noite em um caminho por onde deveis passar, e minha intenção era imolar-vos ao meu furor. Eu não podia suportar a ideia do bem, tanto estava depravado; hoje venho a vós completamente mudado e não sei como”. -“Não tendes sobre vós um escapulário?” Perguntou-lhe o missionário, “Uma Medalha Milagrosa ou algum outro objeto piedosos?” -“Não, meu Pai, não tenho nada.” -“Não recitais a Ave Maria ou o Terço?” – “Faz sete anos, meu Padre, que minha mãe, no momento de deixar para sempre este mundo, me chamou para perto do seu leito, e me fez prometer, como última lembrança, que recitaria todos os dias o Terço. Acedi e cumpri fielmente a minha palavra; somente uma vez estando embriagado não passei de três dezenas. Mas podeis compreender, meu Padre, á vista da vida depravada que eu levava, como não seriam bem recitados estes Terços!” – “Meu filho”, respondeu-lhe o Padre, “ficai certo que é a esta prática que deveis a vossa conversão”. O culpado confessou-se e tornou-se um cristão fervoroso. Algum tempo depois assegurou que para confessar-se cada mês com o mesmo missionário, estaria pronto a fazer três léguas a pé. Prova evidente da sinceridade de sua conversão!

Ó Maria, eu vos direi com Santo Idelfonso, vós sois aquela de quem está escrito: “Deus disse: Que a luz se faça: e a luz se fez”. Ó luz pura, bela luz, luz que resplandeces no céu, iluminai a terra, amedrontai o abismo; luz que guiais aqueles que se transviam, reanimai aqueles que desfalecem, mostrai-nos nossas máculas, erguei-nos de nossa ruínas, brilhai no meio das nossas trevas, dai saúde aos enfermos, alegria aos que choram. Iluminai os pecadores para conduzi-los á penitência, e guiai á glória eterna todos aqueles que esperam e confiam em vós.

Assim seja.

Ramalhete Espiritual

Religiosa rezando o Rosário

Recitando a Ave Maria, tenhamos a intenção de abranger todos os pecadores da terra nestas últimas palavras: “Rogai por nós, pobre pecadores – Ora pro nobis pecatoribus.”

Refere Santo Afonso, que uma senhora, achando-se ás portas da morte, não queria perdoar a seu marido a quem odiava mortalmente. Um bom sacerdote que lhe assistia, não sabendo mais que meios empregar para converte-la, pôs-se a recitar o Rosário. Chegando á última dezena, isto é, depois de ter repetido pouco mais ou menos cinquenta vezes: “Rogai por nós, pobre pecadores”, o sacerdote achou a doente transformada. Perdoou de boa vontade a seu esposo e morreu nas melhores disposições.

* * * DOCE CORAÇÃO DE MARIA, SEDE A NOSSA SALVAÇÃO! * * *

fONTE: “trinta e uma meditações sobre a excelências do santo rosário” – primeiro dia: o rosário converte melhor que os discursos – Pelo Padre Luiz bronchain, redentorista – Edição: 1913
Copilado por: Frei Serafim Maria, O. F. M. Sub

Senhora Sant’Ana

Mãe da Santíssima Virgem Maria

1º Século

Santa Ana, esposa de São Joaquim e mãe de Nossa Senhora, é a padroeira principal das Arquidioceses de São Paulo e do Rio.

Desde os primeiros séculos, a mãe da Santíssima Virgem Maria, foi venerada na Igreja Oriental. Na liturgia romana a festa foi introduzida no século XIV e XV, em correlação com a devoção à Imaculada Conceição de Maria.

Sobre os pais de Maria, não nos dizem nada os evangelhos canônicos. Sobre tal questão, diz muito sutilmente o Padre Luis Francisco de Argentan, capuchinho do século XVII:

“Se as grandezas de Maria tiveram o pai e a mãe como fontes, era necessário que aparecessem como primeiros, a fim de que espalhassem os raios da própria glória sobre ela, como o sol comunica a luz aos astros que rodeiam; todavia, esta ordem é invertida, porque a Santa Virgem recebeu toda a glória de Jesus Cristo, seu Filho, e, pois, São Joaquim e Santa Ana receberam muito maior glória da filha, pela qual esta incomparável vantagem sobre o resto dos Santos, de ser os mais próximos parentes, segundo a carne, do Salvador do mundo, uma vez que são verdadeiramente pai e mãe da Virgem Maria”.

Se os quatro inspirados evangelistas não se referiram a Santa Ana e a São Joaquim, não ficaram os pais de Maria, entretanto, totalmente apagados: três evangelhos apócrifos falam dos dois bem-aventurados Santos: o Próto-Evangelho de Tiago, o Evangelho do pseudo- Mateus e o Evangelho da Infância.

Segundo o primeiro deles, cuja composição é olhada como muitíssimo antiga, Joaquim e Ana eram piedosos e ricos israelitas da tribo de Judá, possuidores de grandes rebanhos. Não tinha filhos, e isto, para os judeus era motivo de ignomínia.

Um dia, Joaquim, que foi ao templo apresentar uma oferenda, viu-a, tristíssimo, ser recusada pelo sacerdote, justamente por causa da esterilidade da esposa. Arrasado pelo sucesso, o bom homem, ao invés de voltar para casa, com os rebanhos buscou a montanha, desesperado.

Durante cinco meses, ninguém, nem mesmo a esposa, ouviu falar de Joaquim. Desaparecera, e dele, notícia alguma chegava ao lugar em que vivia.

A dor de Ana foi imensa. Dir-se-ia que enviuvara. Mas, um dia, quando, como de costume, fazia as suas preces, um anjo apareceu-lhe, para enche-la de alegria: Joaquim, muito breve, tornaria, e ambos, novamente juntos, haveriam de ter o que tanto desejavam – um filho.

Joaquim, na montanha, também recebeu aquele enviado de Deus, que lhe prometeu a mesma alegria e lhe ordenou que descesse e voltasse para a esposa.

Quando o Santo se aproximava, tornou o anjo a visitar Ana, dizendo-lhe que o marido se avizinhava e, pois, fosse-lhe ao encontro, na Porta Dourada.

Ana, deslumbrada, toda numa alegria sem par, deixou a casa correndo e se precipitou nos braços do esposo.

Assim, exultando, voltaram para o lar, a bendizer a Deus incessantemente.

Nove meses mais tarde, nasceu-lhes uma filha – a qual deram o nome de Maria.

– – – –

Nasceu-lhes aquela Maria sublime, pela qual “grandes coisas fez Aquele que é poderoso”, aquela Maria sublime que “resplandeceu de tal abundância de dons celestes, de tal plenitude de graça e de tal inocência, que se tornou como que o milagre de Deus por excelência, ante a culminância de todos os seus milagres, e digna Mãe de Deus – de modo que, colocada, tanto quanto é possível a uma criatura, como a mais próxima de Deus, ela se tornou superior a todos os louvores dos homens e dos Anjos”, a Maria sublime que, com o auxílio divino, quebrou, inutilizou a violência e o poder da serpente.

Nasceu-lhes o Lírio entre os espinhos, a Terra absolutamente intata, virginal, ilibada, imaculada, sempre abençoada e livre de todo contágio de pecado – “da qual foi formado o novo Adão”.

Nasceu-lhes o Jardim “ordenadíssimo, esplêndido, ameníssimo, de inocência e de imortalidade, delicioso, plantado por Deus mesmo e defendido de todas as insídias da serpente venenosa”.

Nasceu-lhes o Lenho imarcescível, ” que o verme do pecado jamais corroeu”. Nasceu-lhes a Fonte sempre límpida, o Templo diviníssimo, o Escrínio da imortalidade.

Nasceu-lhes a Co-redentora dos homens, Medianeira poderosíssima, o Caminho mais seguro e mais fácil para Jesus, a que sofre por nossa causa, a Mulher vestida de sol, que tinha a lua debaixo dos seus pés e uma coroa de doze estrelas sobre a cabeça.

Que parto? “Por certo o nosso, pois que, retidos ainda neste degrêdo, carecemos de nascer para o perfeito amor de Deus e felicidade eterna. As dores do parto que nos estão a demonstrar o amor ardente com que Maria zela e trabalha, lá no céu, por suas preces incessantes, para levar o número dos eleitos à sua plenitude (Pio X).

– – – –

Quando a menina completou dois anos, Joaquim disse a Ana:

– Conduzamo-la ao Templo do Senhor, a fim de cumprir o voto que formulamos.

Ana respondeu:

– Esperemos até o terceiro ano, porque talvez a menina venha a procurar o pai e a mãe.

Joaquim concordou, dizendo:

– Esperemos.

Quando Maria entrou nos três anos de vida, foi desmamada, e Joaquim disse:

– Chamai as jovens virgens santas de Israel. Que cada qual tome uma lâmpada e a tenha acesa, para que a menina não volte atrás e seu coração não se apegue às coisas fora do Templo do Senhor.

E assim foi feito.

– – – –

A glória maior de Santa Ana reside no fato de ter sido a mãe da Imaculada. Foi esposa modelo, humilde, casta, submissa a Deus em tudo, e ao marido. Devotadíssima à filha, colaborou com a obra do Espírito Santo, para fazer frutificar os dons maravilhosos daquela alma.

Avó de Jesus! Eis uma nova, imensa glória, porque de Santa Ana veio o ser humano de Maria, e de Maria todo o ser humano de Jesus. E não foi no sei de Santa Ana que se cumpriu o mistério da Imaculada Conceição, que se deu o prelúdio da Encarnação e da Redenção? Maria, por uma aplicação antecipada do sacrifício de Jesus, não foi a primeira alma resgatada, e, assim, a primeira vitória de seu Filho? Tudo se cumpriu no seio de Santa Ana. E “tudo o que podia ficar profanado, maculado na herança carnal dos reis de Judá, escreveu Osbet de Clare, beneditino inglês, foi inteiramente purificado na carne santa da gloriosa e bem-aventurada Ana”.

– – – –

A iconografia da Santa Mãe de Maria seguiu fielmente os progressos da ciência teológica. Até o século XIII, os artistas representaram-na naquela cena comovente que se efetuou na Porta Dourada.

A partir daquele século, com o avanço da crença na Imaculada Conceição, novos temas surgiram. No fim da Idade Média, tendo apreendido dos místicos que Jesus conhecera sua avó aqui na terra, os artistas entraram a representá-lo entre ela e Maria. Assim apareceram as mais belas obras em que figura Santa Ana: a do Mestre Francofort, no museu de Berlim; a de Leonardo da Vinci, no Louvre; a de Quentin Metsys, em Bruxelas, e a do Mestre da Sagrada Família, em Colônia.

Curiosas as esculturas que representam Santa Ana levando ao colo a Maria, que por sua vez, traz consigo, nos braços, o divino Filho.

A mais comum das representações, todavia, é a da Santa tendo a Filha pela mão, mostrando-lhe o livro da Lei, sempre sóbria, de rosto grave, mas o sereno, doce e benfazejo rosto das avós.

FONTE: VIDA DOS SANTOS – 6 de julho: santa ana, mãe de nossa senhora – PADRE ROHRBACHER – III VOLUME – 1952

Nossa Senhora do Monte Carmelo – 16 de julho

Nossa Senhora do Carmo – Pintura por Pietro Novelli

A comemoração de Nossa Senhora do Monte Carmelo, ou Nossa Senhora do Carmo, foi instituída pelos carmelos entre 1376 e 1386, para celebrar a aprovação da regra daqueles religiosos pelo Papa Honório III.

O dia 16 de julho evoca, segundo a tradição dos carmelos, uma aparição de Nossa senhora a São Simão Stock, para lhe dar o escapulário.

No princípio do século XVII, o dia 16 tornou-se como a festa do Escapulário, que o Papa Bento XIII estendeu por toda a Igreja do universo.

O intróito utiliza o de Santa Ágata e poderia ser de origem grega. “Rejubilemo-nos no Senhor, celebrando a festa em honra da bem-aventurada virgem Maria”, porque Ela é a “causa da nossa alegria,” pois foi quem nos deu Jesus Cristo, nosso Salvador.

A coleta recorda que a ordem do carmelo recebeu o título de Maria. A Epístola é tirada do Eclesiástico, e diz:

Como a vide lancei flores de um agradável cheiro; e as minhas flores dão frutos de glória e de riqueza. Eu sou a mãe do amor formoso, do temor, da ciência e da santa esperança. Em mim há toda a graça do caminho e da verdade, em mim toda a esperança da vida e da virtude. Vinde a mim todos os que desejais, e enchei-vos dos meus frutos. Porque o meu espírito é mais doce do que o mel, e possuir-me é mais agradável que o favo de mel. A minha memória durará por toda a série dos séculos. Os que me comem terão ainda fome, e os que me bebem terão ainda sede. Aquele que me ouve não será confundido, e os que agem por mim não pecarão. Aqueles que me tornam conhecida terão a vida eterna.”

Virgem do Monte Carmelo

O responso-gradual é o da Visitação. O versículo aleluítico canta a Mãe de Deus que restitui aos homens a vida perdida. O evangelho é um fragmento do evangelho do terceiro domingo da Quaresma, e o versículo do ofertório adaptado de Jeremias: suplicar à Virgem para que seja nossa advogada. A secreta pede para que nossas ofertas sejam salutares, graças à Mãe de Deus. A antífona da comunhão implora a intercessão da Rainha do mundo, e a pós-comunhão deseja ajuda, proteção e concórdia, graças à Mãe de Deus.

Fonte: Vida dos Santos – Padre Rohrbacher – III Volume – 1959

NOTICIA SUCINTAS SOBRE A ORDEM TERCEIRA DE S. FRANCISCO

O que é a Ordem Terceira?

Beato Luquésio e sua esposa Buonadona, primeiros Terciários.


Em 1208, tinha S. Francisco de Assis fundado a Ordem dos Irmãos Menores, que denominaram mais tarde com o seu nome (latino: “Franciscus”) Franciscanos. Foi a sua “primeira’* Ordem. Em 1212 foi S. Clara de Assis revestida por ele com a libré da pobreza, tornando-se a mãe das “Damas Pobres” ou Clarissas. Era a “segunda” Ordem de S. Francisco. Mas estava dado o impulso. De toda parte acudiam a se alistar na milícia de um Santo, cuja simples aparência dava desejo de trabalhar para a salvação. Não queria, entretanto, Francisco despovoar a sociedade! E depois, tantas almas, retidas no mundo pelos seus deveres de estado, desejavam viver da vida do claustro! Foi para estas almas, desejosas da perfeição cristã, que Francisco fundou a sua “terceira” Ordem, a Ordem Terceira da Penitência. Todos aqueles que quiserem ser verdadeiros cristãos poderão fazer parte dela, quer presos ou não ao estado do Matrimônio.

Qual a vantagem de se alistar na Ordem Terceira?

São as seguintes: 1ª Ela foi instituída por um Santo que tinha recebido do Céu a missão de regenerar o mundo e torná-lo cristão. É o que a Igreja assegura na oração da sua Festa. Ora, foi sobretudo pela Ordem Terceira que S. Francisco infiltrou o espírito cristão nas multidões.

2ª Pelos frutos se deve julgar a árvore, e, no testemunho de muitos Soberanos Pontífices, a Ordem Terceira foi para os séculos que seguiram a sua instituição, uma verdadeira regeneração social. É fato que até hoje conta mais de 300 Santos ou Bem-aventurados.

3ª Ela dá direito a uma proteção especial dos inúmeros Santos das três Ordens de S. Francisco, e a uma mais abundante participação aos frutos das orações, sacrifícios, penitências, trabalhos de toda sorte de cerca de 42.000 Franciscanos da 1ª Ordem, de muitos milhares de Clarissas e de número incalculável de Terceiros.

4ª Os Soberanos Pontífices convidam instantemente os fiéis a entrarem nesta santa milícia. Leão XIII recomenda entrar na Ordem Terceira em quatro Encíclicas endereçadas a toda a Igreja.

5ª Hoje os homens se julgam cristãos, sem ter o espírito de Jesus Cristo. Ora, a graça da Ordem Terceira dá coragem de viver como verdadeiro cristão, de renunciar às máximas do mundo e aos seus costumes anticristãos.

6ª Acrescentem-se a estes motivos os inúmeros privilégios, indulgências, etc., com que aprouve aos Soberanos Pontífices enriquecer a Ordem Terceira de S. Francisco.

Quais são as Obrigações da Regra da Ordem Terceira?

I. Todos os dias. — 1) Rezar doze Padre-Nossos, Ave-Marias e Glória ao Padre, ou então o Ofício Pequeno da Santíssima Virgem, ou o Breviário. 2) Invocar a Deus antes e depois das refeições. 2) Fazer todas as noites, o exame de consciência e pedir perdão a Deus. 4) Ouvir a Missa, “se for possível fazê-lo comodamente”.

II. Todos os meses. — 1) Confessar-se e comungar. 2) Assistir à reunião da Fraternidade, quando se faz parte dela. 3) Dar, segundo os meios, para os Terceiros pobres e doentes, assim como para a capela onde se fazem as reuniões.

III. Todos os anos. — 1) Jejuar no dia 3 de outubro, vigília da festa do Santo Patriarca, e no dia 7 de dezembro, vigília da Imaculada Conceição. 2) Cumprir a satisfação imposta pelo Visitador da Fraternidade pelas transgressões cometidas contra a Regra.

IV. Em todos os tempos. — 1) Usar o hábito da Ordem Terceira: escapulário e corda. 2) Observar, segundo as promessas da Profissão, os mandamentos de Deus e da Regra. 3) Evitar o luxo no vestuário e a elegância mundana. 4) Fugir dos bailes, dos espetáculos perigosos, e de toda assembleia onde o pudor não for acatado. 5) Ser frugal nas bebidas e comidas. 6) Dar o bom exemplo na sua família. 7) Proibir-se, e aos seus subordinados, a leitura dos maus livros e jornais perigosos. 8) Entreter a paz e a caridade com todos e apaziguar discórdias. 9) Não prestar juramento, a menos de necessidade evidente. 10) Não usar linguagem chula, chocarreira ou vil. 11) Nas Fraternidades, aceitar os cargos com humildade e exercê-los com zelo, 12) Em ocasião de morte de cada Terceiro, assistir aos funerais, se for possível; rezar o rosário e fazer a Comunhão na intenção dele.

V. Quando se puder. — Fazer o testamento, a fim de evitar as preocupações no momento da morte e as questões entre os herdeiros.

Observação Importante:

Na Regra da Ordem Terceira nada obriga “sob pena de pecado” , mesmo venial, a não ser nos pontos em que a Regra coincide com a lei divina. Quanto ao jejum e abstinência já se vê que os mesmos motivos que dispensam de abstinência e jejum da Igreja, com mais razão dispensam das penitências impostas pela Regra.

Irmãos e Irmãs da Venerável Ordem Terceira Franciscana, venerando o Santo Sepulcro – em Recife/PE

Jesus Cristo seja louvado! Para sempre! Amém!

Texto extraído do livro: O Espírito da Ordem Terceira Franciscana” por Padre Frei Pedro Batista Gimet, O. F. M. – Tradução de M. Neves – Editora Vozes – 1944

Sursum Corda: Abril&Maio

Pax et Bonum!

Publicamos o Boletim periódico do Convento de São Miguel e de Santo Antônio referente ao meses de abril e maio, para lê-lo clique no botão abaixo. Você pode ainda visitar a aba "Boletim Informativo" no menu principal do site para ver todas as edições publicadas.

Salve Maria!

Devoção Mensal: Breve novena angélica de Santo Antônio

Pax et Bonum!

I. No dia 13 de Junho comemoramos a festa de Santo Antônio de Pádua, Doutor da Igreja, um dos maiores luminares de santidade e erudição da nossa Ordem. Por este motivo foi conveniente trazê-lo a Devoção Mensal deste mês.

II. Porquê Santo Antônio é um santo muito popular e sua devoção é universalmente propagada, o modernismo e a paganização do mundo fez seu culto ser corrompido. Com o intuito de restaurar um culto tradicional a Santo Antônio decidimos trazer uma de suas mais esquecidas devoções, a Novena Angélica.

BREVE NOVENA ANGÉLICA EM HONRA DE

SANTO ANTÔNIO DE PÁDUA

“Fratri Antonio episcopo meo frater Franciscus salutem. 

Placet mihi quod sacram theologiam legas fratribus, dummodo inter huius studium orationis et devotionis spiritum non exstinguas, sicut in regula continetur.”

(Carta de São Francisco a Santo Antônio)
Uma ocasião, Santo Antônio revelou que lhe era muito grata uma novena em que, discorrendo pelos nove coros angélicos, se considerassem as virtudes e prerrogativas com que o Senhor o havia enriquecido. Façam os fiéis devotamente esta novena e o santo se lhes mostrará propício, socorrendo-os nas necessidades.

Pelo sinal da Santa Cruz…

Ato de contrição
Senhor meu Jesus Cristo, Deus e homem verdadeiro, Criador e Redentor meu, por serdes vós quem sois, sumamente bom e digno de ser amado sobre todas as coisas, e porque vos amo e estimo, pesa-me, Senhor, de todo o meu coração de vos ter ofendido; pesa-me, tambem, por ter perdido o céu e merecido o inferno; e proponho firmemente, ajudado com os auxílios da vossa divina graça, emendar-me e nunca mais vos tornar a ofender. Espero alcançar o perdão das minhas culpas, pela vossa infinita misericórdia. Amém.

Oração diária
Ó Deus altíssimo, prostados ante vossa majestade, pedimo-vos, por gloriosa intercessão do glorioso Santo Antônio, a graça que desejamos conseguir nesta novena (mencionar a graça…). Se este pedido não for conforme vossa soberana disposição, dai-nos uma perfeita conformidade com vossos desígnios, para que, cumprindo aqui tudo o que desejais, alcancemos os prêmios prometidos aos escolhidos na eterna glória. Amém.

PRIMEIRO DIA

Santo Antônio e os anjos
Anjos são aqueles espíritos bem-aventurados que o Senhor envia à terra como emissários de sua divina majestade, para comunicar aos homens o beneplácito de sua vontade. Anjos foram os que apareceram em sonhos a Jacó, quando ia à Mesopotâmia; anjo era o que apareceu aos pais de Sansão; anjos eram os que castigaram o exército de Senaquerib.
A Sagrada Escritura nos fala a cada momento destes mensageiros do Altissimo. Cada um de nós tem um anjo particular: o anjo da guarda, que nos foi dado por Deus para ser nosso guia e perpétuo companheiro.
Sto. Antônio teve a prerrogativa dos anjos, pois ele foi enviado, com suma providência, por Deus, para ser mensageiro da boa nova e anunciar ao povo a lei do Senhor. Foi anjo por sua pureza virginal, que conservou intata e ilibada como açucena entre espinhos. E’ anjo pela solicitude com que atende a seus devotos, ouvindo seus pedidos e despachando-os favoravelmente.

Invocação
Angélico Santo Antônio, sêde para nós o mensageiro da paz e do bem. Ouvi o que vos pedimos, se assim convém à pureza de nossa alma e de nosso corpo. Assim seja.

SEGUNDO DIA

Pelo sinal…
Ato de contrição…
Oração para todos os dias…

Santo Antônio e os arcanjos
Os anjos, como tambem os arcanjos, pertencem a uma mesma hierarquia, que é a terceira, porém formam coros distintos. Os arcanjos, como seu nome o indica, são de grau superior aos anjos, e a eles Deus confia as missões extraordinárias.
Para anunciar a chegada do Messias, aparece um arcanjo ao profeta Daniel e assinala com precisão o tempo que faltava para tão faustoso acontecimento.
Para dar à SS. Virgem Maria a grata nova de que ela seria a Mãe de Deus, foi escolhido o mesmo arcanjo S. Gabriel; e para pelejar as batalhas do Senhor contra Lúcifer e seus sequazes, foi designado o arcanjo S. Miguel. Este nome de arcanjo é dado certas vezes a certos espíritos celestiais de superior hierarquia, como aos Santos Miguel e Gabriel; pela mesma razão convém ao glorioso Sto. Antônio, que também foi escolhido para anunciar o Evangelho da verdade entre os povos e os gentios, como tambem aos príncipes, prelados, reis e pontífices, e, até, sem temor, levantou a voz diante dos tiranos.

Invocação
Antônio glorioso, que como arcanjo de Deus fizestes ouvir a voz da justiça a todos os homens, alcançai-nos a justiça que vem de Deus e concedei-nos o que vos pedimos, se não for em detrimento de nossas almas. Assim seja.

TERCEIRO DIA

Pelo sinal…
Ato de contrição…
Oração para todos os dias…

Santo Antônio e as virtudes
As virtudes pertencem ao coro superior da terceira hierarquia angélica, e é por meio destes bem-aventurados espíritos que Deus preside o universo.
Deus está em todos os lugares, pois é infinito, mas quer que eles, sustentados pela virtude e força que de seu poder recebem, mantenham as leis que regem a criação, suspendendo o curso dessas mesmas leis quando coincide ser assim a sua suprema vontade.
As virtudes têm em suas mãos o poder de acalmar a fúria dos mares e a força dos ventos, de suspender o curso dos astros e a luz das estrelas; a seu império, em uma palavra, estão sujeitos os fenômenos da natureza. Neste ponto Sto. Antônio se assemelha às virtudes. Seu poder é tão grande, que parece não ter limites. Ele manda ao mar e aos ventos, que lhe obedecem; impera nas enfermidades e até a morte se rende à sua ordem. Os próprios demônios dobram sua fronte orgulhosa à voz de sua vontade. Como é extraordinário este poder de Santo Antônio! E que confiança não infunde no coração de seus devotos!

Invocação
Poderoso Santo Antônio, a cujo domínio quis Deus sujeitar todas as coisas, concedei-nos que dominemos nossas paixões e vençamos todas as dificuldades que se opõem à nossa salvação, para assim alcançarmos o que fervorosamente vos pedimos. Assim seja.

QUARTO DIA

Pelo sinal…
Ato de contrição…
Oração para todos os dias…

Santo Antônio e as potestades
Para remover todos os obstáculos que podem impedir a execução dos desígnios de Deus e para vencer o poder dos príncipes das trevas, estão destinados os espíritos celestiais do primeiro coro da segunda hierarquia, denominados “potestades”.
O inimigo do gênero humano se compraz em estorvar quanto pode os desígnios da sabedoria de Deus sobre a humanidade. Os demônios, invejosos da misericórdia que o supremo Senhor usa com os homens, não tem outro afã que induzí-los a ofender a Deus, para que participem de sua desdita.
Para castigar esta malícia das potestades infernais, Deus concedeu seu poder às potestades angélicas, em benefício dos homens.
Sto. Antônio gozou, ainda em seus primeiros anos, deste poder maravilhoso e jamais o demônio pôde gloriar-se de conseguir um triunfo sobre esse servo privilegiado do Altíssimo. E quem pode contar os obstáculos que removeu Sto. Antônio por meio de suas pregações, exortações e milagres para facilitar o caminho da salvação a tantas almas? A quantos desesperados arrebatou das garras do demônio e levou a Deus para que o bendissessem eternamente no céu?!

Invocação
Excelso Sto. Antônio, impedí com vosso poder a fúria dos inimigos que se nos atravessam no caminho do céu. Fazei que triunfemos deles e que vençamos os obstáculos que nos impossibilitam receber o favor que desejamos. Assim seja.

QUINTO DIA

Pelo sinal…
Ato de contrição…
Oração para todos os dias…

Santo Antônio e os principados
Os principados têm por ofício particular o governo dos remos e dos povos. São como os custódios das comunidades. A eles estão sujeitos todos os espíritos de inferior categoria e todos lhe obedecem no tocante a seu ministério. São os generais dos exércitos do Rei do universo, que defendem e protegem as nações. Cada reino, cada igreja, cada província e cada povo têm um vigilante guarda que lhes serve de proteção, amparo e defesa. Eles têm de lutar contra as legiões infernais que, com seus príncipes, pervertem as sociedades e fazem-nas desviar do caminho da salvação. O poder dos principados desbarata as armadilhas que as sociedades do mal forjam contra a esposa do Cordeiro.
Sto. Antônio teve este privilégio, pois foi o anjo tutelar de muitos povos e reinos. O Brasil e Portugal, assim como Pádua, Veneza, Florença e Nápoles o consideram como seu patrono. Todos os povos do orbe a ele recorrem como advogado e a Igreja de Deus o venera como um protetor.

Invocação
Poderoso Santo Antônio, que, solicitamente, velais pelo bem de todos os povos, não descuideis da nossa salvação; guardai nossa alma para Deus e concedei-nos, se for da vontade divina, o que humildemente vos pedimos nesta novena. Assim seja.

SEXTO DIA

Pelo sinal…
Ato de contrição…
Oração para todos os dias…

Santo Antônio e as dominações
Acima de todos os coros das inferiores hierarquias, presidem as dominações, cujo ministério é fazer cumprir exatamente a vontade do Senhor em todos os espíritos inferiores. São como os generalíssimos do exército do supremo Dominador. São espíritos administradores e entram com Deus no governo do mundo, tendo um poder mais amplo que todos os espíritos do coro inferior. Suas atribuições são mais extensas como convém a seu carater de dominações.
Santo Antônio foi semelhante aos representantes deste coro angélico no poder que Deus lhe concedeu sobre todo o universo. É o santo de todos os povos, como de todos os príncipes e monarcas. Ele dominou seu século com o ascendente de sua celestial eloquência e estupendos prodígios, e continua a dominar o mundo com o atrativo de seus perenes benefícios.

Invocação
Excelso Sto. Antônio, vós que podeis alcançar o que desejamos, não deixeis de ouvir nossa súplicas; seja vossa glória a realização do favor que vos pedimos juntamente com a graça de viver cristãmente, dominando nossas paixões e assim cumprirmos plenamente, até ao fim, a lei santa de Deus. Assim seja.

SÉTIMO DIA

Pelo sinal…
Ato de contrição…
Oração para todos os dias…

Santo Antônio e os tronos
O gozo dos tronos consiste na contemplação eterna de Deus em sua puríssima essência. Eles servem a Deus como escabelo de seus pés, onde descansa a majestade divina. Eles sorvem a torrentes a luz daquela fonte inesgotável. Recebem imediatamente de Deus as ordens para comunicá-las às dominações e aos outros espíritos das hierarquias inferiores.
Formam o coro da hierarquia mais elevada dos espíritos que se chamam assistentes, porque são os que ficam mais próximos da beatíssima trindade.
Esta prerrogativa se concedeu a Sto. Antônio em grau superior. Já em vida mereceu ser trono do menino Deus, que se dignava comunicar-lhe seus segredos, cumulando-o de carícias; muitas vezes por meio de Antônio comunicava suas ordens aos homens, para que se cumprisse suas santíssima vontade.

Invocação
Ó santo glorioso, fazei que nosso coração seja trono da graça e da misericórdia de Deus. Dai-nos força para cumprirmos sempre a vontade do Senhor e assim alcançarmos, se for conveniente, o favor que vos pedimos. Assim seja.

OITAVO DIA

Pelo sinal…
Ato de contrição…
Oração para todos os dias…

Santo Antônio e os querubins
Os querubins recebem diretamente os raios da divina Sabedoria, estão cheios da ciência do Senhor. Seu entendimento é um tesouro de luz e de verdade. Ao contemplar a essência divina ficam estes bem-aventurados espíritos submersos naquele pélago imenso da sabedoria de Deus, que os envolve totalmente. Eles, como assombrados, cobrem seus rostos com as asas, e prorrompem em um cântico de amor e de louvor.
Estes soberanos espíritos, conforme viu o profeta Ezequiel em admiravel visão, vão levando em carro de glória a majestade de Deus. Por meio dos querubins, dava nosso Senhor os seus oráculos a Moisés e aos sacerdotes do templo.
Santo Antônio foi um querubim por sua vastíssima ciência nas Sagradas Escrituras, merecendo o glorioso renome que lhe deu Gregório IX de “Arca do testamento, Arquivo das Sagradas Escrituras e doutor da Igreja”.

Invocação
Ó maravilhoso Santo Antônio, ilustrai com vossas luzes as trevas da nossa inteligência, para que saibamos o que devemos fazer em todas as ocasiões da vida, afim de que, agindo segundo este conhecimento, agradeçamos a Deus, cuja misericórdia imploramos para conseguir o favor que deseja nosso coração. Assim seja.

NONO DIA

Pelo sinal…
Ato de contrição…
Oração para todos os dias…

Santo Antônio e os serafins
São os serafins os seres mais privilegiados entre os espíritos celestiais. São os mais próximos de Deus, de quem participam o amor mais que os outros. Sua vontade é um fogo que não vive senão de amor divino, e amando a Deus se abrasam mais e mais nesse fogo celestial. Conhecem a infinita bondade de Deus, e esse conhecimento aviva-lhes o amor. Deus é caridade, é ele mesmo o amor, e como o gosto dos serafins é amar, amam a Deus sem limites, sem medida, sem fim. Por isso seu ofício é amar a Deus e cantar seus louvores, comunicando aos outros o fogo do amor. O profeta Isaias viu que um serafim lhe purificava os lábios com um carvão aceso que havia tomado do altar do Senhor e antes havia ouvido como os serafins cantavam em coro aquele triságio: “Santo, santo, santo é o Senhor Deus dos exércitos; cheia está a terra de sua glória”.
Santo Antônio foi um serafim de amor de Deus; sua vida toda foi consagrada ao mais sublime dos amores. Pelo amor de Deus renunciou ao mundo, a suas pompas e vaidades; por amor de Deus se consagrou nas aras da religião e se dedicou aos trabalhos apostólicos; por amor de Deus viveu como um serafim na terra, sem pretender outra recompensa senão amar mais e mais seu adorado Senhor.

Invocação
Amantíssimo Santo Antônio, inflamai nosso tibio coração nas chamas do amor divino, para que não amemos senão a Deus. Concedei-nos o favor que vos pedimos nesta novena, e se não nos for conveniente, pedimo-vos a paciência em todas as nossas tribulações e no fim a glória eterna. Assim seja.

Retirado da obra: “Manual de Santo Antônio” Vozes 4a Ed.

Salve Maria!

Devoção Mensal: Novena a São José

Pax et Bonum!

I. Porque no mês de Março, dedicado a São José, não podemos publicar nada sobre a principal devoção daquele mês, compensamos tributando a Devoção Mensal de Maio ao glorioso Patriarca.

II. No dia 1 de Maio comemoramos a festa de São José Operário, instituída por Sua Santidade Papa Pio XII de santa memória. E para bem santificarmos este mês, foi conveniente publicar uma novena a São José, para o consagrarmos nosso amor.

NOVENA AO GLORIOSO SÃO JOSÉ

Pelo sinal da Santa Cruz, etc.
Vinde Espírito Santo.

Orações preparatórias para todos os dias
Deus e Senhor meu, uno e trino, Padre, Filho e Espírito Santo, creio que estou em vossa soberana presença agora, quando pretendo consagrar a São José esta novena. Amo-vos com todo o meu coração, porque sois infinitamente bom e digno de ser amado sobre todas as coisas: adoro-vos com todo o acatamento que sou capaz, arrependo-me dos muitos pecados que fiz contra vossa divina majestade. Quizera nesta novena aprender as virtudes que, com tanta perfeição, praticou o glorioso Patriarca, e alcançar por sua intercessão as graças de que tanto preciso. Mas, quem sou eu, Senhor, para atrever-me a comparecer em vossa presença? Conheço a deficiência de meus meritos e a multidão de meus pecados, pelos quais não mereço ser ouvido em minhas orações; mas, o que eu não mereço, merece-o o pai nutrício de Jesus; o que eu não posso, pode ele; venho, portanto, com toda a confiança, implorar a divina clemência, não fiado em minha fraqueza, senão no poder e valimento de São José.

Oração à Santíssima Virgem
Virgem Imaculada, Esposa castíssima de São José, assisti-me nestes momentos que dedico ao culto de vosso gloriosíssimo Esposo. E como, sem vosso auxílio, poderia eu honrar dignamente um varão justo, a quem vós dedicastes trinta anos de vossa vida? Nem sei, nem posso honrá-lo como ele merece; por isso venho a vós para que repareis o que a mim me falta, e façais por ele o que não sei. Ajudai-me, Senhora, em minhas orações, para que sejam favoravelmente despachadas, pela intercessão e valimento de vosso santo Esposo.

A São José
Ó meu santo querido, bem quereria oferecer-vos esta novena com todo ferver e reverência. E como não quereria, se a consagro a vós, que merecestes o respeito e favor de Jesus e de Maria, dedicados a vosso serviço? Desejo obsequiar-vos dignamente, porque desejo ardentemente conseguir por vossa intercessão, minha salvação eterna, e também as graças particulares que nesta novena pretendo alcançar. Não atendais, pois, às minhas faltas, senão à vossa grande misericórdia e a o muito amor que me professais. Ó meu pai e protetor, em vós ponho minha confiança, não serei jamais confundido.

Dia Primeiro
Dou graças, José santíssimo, à Santíssima Trindade pelos muitos privilégios, méritos e virtudes com que vos enriqueceu, e principalmente pelo grande e singularíssimo, a poucos concedido, de ser santificado no ventre de vossa mãe, o confirmando em graça. Que alegria para vosso coração vos ver livre do pecado, que é a única coisa que desagrada a Deus-Homem, que vos chamava Pai! Que graças daríeis à Trindade Beatífica por esse tão assinalado privilégio! Eu vos felicito com todo meu coração, pela inocência incomparável que tivestes desde antes de nascer, e pela graça e amizade particular com que o mesmo Deus vos distinguiu. Por esse privilégio e pela alegria que ele vos causou, suplico-vos, ó meu querido pai, me alcanceis de Deus um grande ódio ao pecado, e grande amor à virtude e a minha eterna salvação. E como creio que a graça que desejo conseguir nesta novena será conducente à minha salvação, tenho inteira confiança que a alcançarei por vossa poderosíssima intercessão; todavia, se minha oração não for bem dirigida, endireitai-a vós e rogai por mim. (Peça as graças que deseja alcançar)

Reze a Oração Final localizada após a oração do Dia Nono


Dia Segundo
Que felicidade a vossa, meu glorioso Protetor, serdes escolhido milagrosamente para esposo da Imaculada Maria. Alegro-me convosco pela satisfação imensa que experimentastes naquele dia feliz, em que ajuntastes vossa sorte à da mesma Mãe de Deus. Que inveja vos teriam os mesmos anjos por serdes o depositário da Mãe do mesmo Verbo encarnado, e por esse mesmo fato também depositário do Filho de Deus! Uno meus parabéns aos que nesse dia vos dariam os anjos do céu, e de todo coração vos felicito por vos ter cabido em sorte a mesma Rainha dos anjos, e pelo zelo com que dedicou vosso serviço. Que seja para bem tamanha felicidade! Que dita terdes sempre por companheira a que levava a Deus! Que felicidade terdes para vosso consolo nas penas a Consoladora dos aflitos; para conselheira nas dificuldades a sapientíssima Mãe de Deus; e para modelo nas virtudes a que é o espelho sem mancha da Majestade divina e a imagem da bondade de Deus! Por este favor e felicidade tão grande, peço-vos, poderosíssimo São José, a amizade de Deus, e a proteção e amparo constantes de Maria Santíssima. Interponde ao mesmo tempo vosso valimento com Jesus e com vossa santíssima esposa, para alcançar as graças particulares que com esta novena pretendo conseguir. (Peça as graças que deseja alcançar)

Reze a Oração Final localizada após a oração do Dia Nono

Dia Terceiro
Que pena tão amarga sentiríeis em vosso coração, José gloriosíssimo, quando em vossa humildade julgastes dever separar-vos de vossa esposa Maria! Separar-vos de Maria, que amáveis tanto e que correspondia a vosso amor com amor mais puro, sincero e ardente do que o do mais abrasado Serafim! Compadeço-me de Vós por aqueles momentos terríveis, e por essa amarga provação que o Senhor vos permitiu! Mas não temais, José santíssimo, não vos separeis da Mãe de Deus; é vontade de Deus que fiqueis ao lado dela. Maria vos pertence, é vossa porque é vossa esposa, e porque vos ama. E se Deus fez nela as maravilhas de seu infinito poder e infinito amor, não foi para vo-la tirar, senão para que Vós sejais a testemunha dessa maravilhas. É o jardim de Deus, e o paraíso onde tem seu recreio o Filho de Deus, mas Vós sois o guarda desse jardim, depositário desse imenso tesouro. Aceitai, Santo meu, sinceros parabéns pela parte ativa, que vos concede Deus no mistério da Encarnação, e pela sujeição de Deus-Homem e de sua Santíssima Mãe às vossas ordens. Por essa grande alegria, e também pela tristeza que a precedeu, suplico-vos, meu Pai querido, me alcanceis de Deus o conhecimento de minha religião, e a graça de conservar uma fé tão viva em todos seus mistérios, que esteja pronto a morrer antes de duvidar de nenhum deles; alcançai-me outrossim a graça que nesta novena pretendo conseguir, se for para maior gloria de Deus e bem de minha alma. (Peça as graças que deseja alcançar)

Reze a Oração Final localizada após a oração do Dia Nono

Dia Quarto
Esposo castíssimo da Mãe de Deus, uno-me a Vós na tristeza que experimentastes em Belém, quando lá chegando, depois duma penosa viagem, vistes vossa adorada esposa Maria e o mesmo Salvador do mundo, que ela levava em suas entranhas, desconhecidos e repelidos de todas as casas e pousadas. Ó meu querido José, como conhecestes então que o mundo é inimigo de Cristo, e que é impossível servir juntamente dois senhores tão inimigos e contrários! Dai-me a Jesus, que tanta alegria vos causou em seu nascimento. Essas vozes dos anjos, “paz aos homens de boa vontade”, a vós principalente vão dirigidas; aceitais meus parabéns pelo muito amor que Jesus vos manifesta, escolhendo-vos para seu pai nutrício e para seu poderoso defensor e amparo. Permiti-me, gloriosíssimo e poderosíssimo Santo, chegar aonde Vós estais perto de Jesus, contemplar suas virtudes e vossas ditas; pedi-lhe por mim o que pedistes para os pastores e para os reis, que foram adorá-lo no presépio; pedi-lhe também as graças que desejo conseguir nesta novena, se forem para glória de Deus, e para salvação de minha alma. (Peça as graças que deseja alcançar)

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Dia Quinto
Que grande dor sofrestes, meu Santo querido, quando vistes derramar o sangue de Cristo na circumcisão! Que crime cometera esse infante divino, para ser assim atormentado, poucos dias depois de nascer? Ah! Não era por seus crimes, que não os podia ter quem era Deus, senão pelos meus, esse padecer de Cristo. Ah! Santo bendito, dai-me a conhecer o preço do sangue de Jesus para que nunca deixe perder a menor partezinha desse sangue, senão que, caindo abundantemente sobre minha alma, me lave e purifique. Permiti-me, São José, que para conseguir graça tão importante me chegue perto de Vós, para escutar atento, e receber com fruto o nome de Jesus, que por ordem de Deus, dais Vós mesmo ao Filho de Deus encarnado, Jesus é seu nome. Ele salvará o povo de Israel do pecado que cometera; mas o salvador e amparador desse Jesus sois Vós, José gloriosíssimo. Que alegria a vossa quando lhe destes esse nome, sabendo que não era vazio de significação, senão que pelo contrário, essa criança, que o povo chama vosso filho, salvaria o mundo e abriria as portas do céu! Dai-me a Jesus, Vós que o guardais, que seja para mim Jesus, isto é, meu salvador em vida e meu prêmio na morte. Por esse nome glorioso peço-vos também as graças que desejo alcançar nesta novena, se hão de ser para glória de Deus e para bem de minha alma. (Peça as graças que deseja alcançar)


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Dia Sexto
Ó meu bom pai e amparo dos desamparados, por aquela alegria que experimentou vosso coração, ouvindo os louvores que aqueles santos velhos tributavam a Cristo, peço-vos que não vos esqueceis de mim, nem de minha alma; fazei que Jesus, meu Salvador, seja sempre para mim ocasião de ressurreição, e não de queda ou de escândalo. Compadeço-me ao mesmo tempo de Vós, pacientíssimo José, pela ferida que fizeram em vosso coração as palavras do santo velho Simeção, com que anunciava a Maria que uma espada de dor havia de atravessar seu delicadíssimo e amorosíssimo Coração. Em tão tremenda ocasião para Maria, Vós nem poderíeis remediar essas dores, nem ao menos ser testemunha de tão terrível padecer, para consolar vossa esposa com vossa presença material na Paixão de Cristo! Eu sim, que posso e devo com minha vida e bons costumes, consolar a Maria, porque fui parte, com meus pecados, na morte de Jesus e nas dores de vossa Esposa Maria, e posso e devo evitar esses pecados. Ajudai, José poderosíssimo, minha pobreza espiritual e poucas forças, alcançando-me de Nosso Senhor a graça de nunca ser com minhas culpas, causa das penas de Jesus e das dores de Maria; alcançai-me ao mesmo tempo a graça que desejo conseguir nesta novena, se for para maior glória de Deus e salvação de minha alma. (Peça as graças que deseja alcançar)


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Dia Sétimo
Permiti-me, São José, que vos acompanhe em espírito no vosso desterro ao Egito, para admirar vossos sacrifícios e imitar vossas virtudes. Como fazeis para defender a Jesus de tantos perigos e sobre tudo na morte? Que dor tão grande seria para vosso coração amante ver sofrer Jesus e Maria sem podê-lo remediar! Que sede sofreríeis no deserto, peregrinos santíssimos! Tirai-me a sede dos prazeres desordenados, dai-me fome e sede da justiça e das virtudes, sobretudo da paciência e mortificação, que tanto repugnam às inclinações perversas de minha carne. Entristeçam-me as coisas que a Vós entristecem, José pacientíssimo, e saiba eu alegrar-me com as que a Vós causam alegria. Experimente minha alma, conservando-se em graça de Deus, a mesma alegria que experimentou vosso delicado coração, quando afinal, depois dos trabalhos duma perigosa viagem por desertos e ermos, vistes a salvo a Jesus e segura em sua casa a vossa amantíssima Esposa. Goze eu, como gozastes vós na queda dos ídolos de Egito, da queda dos ídolos de meu coração, das afeições desregradas e das paixões desordenadas, de modo que em tudo e por tudo agrade a Jesus, a sua santíssima Mãe e a Vós, meu José, que tanto gozais na glória de Deus. Alcançai-me também a graça que desejo conseguir nesta novena, se for para maior glória de Deus. (Peça as graças que deseja alcançar)

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Dia Oitavo
Compadeço-me de Vós, José pacientíssimo pelas privações a que vistes sujeita vossa amada família na terra de peregrinação, e pelo mesmo desterro tão duro, sobretudo, para o Filho de Deus. Uno minhas lágrima às que derramaríeis em vosso coração, quando, por carecer de meios, houvésseis de negar ao mesmo Senhor de Todas as coisas o alimento necessário, que ele na sua Providência não nega às mais abandonadas avezinhas do ar. Oh! E como acusa essa voluntária pobreza e privação do Filho de Deus e de vossa família, minha imortificação e regalo. Vossa família, que é a família de Deus, tão paciente, e eu me queixo de qualquer pequena insignificante mortificação, seja embora necessária! Ó meu querido José, pela alegria imensa que inundou vosso coração, quando Jesus pela primeira vez vos deu o mimoso nome de pai, e pela sujeição com que pela primeira vez vos prestou a homenagem de sua obediência, suplico-vos me ensineis a obedecer aos meus superiores, e a sofrer com paciência e resignação as provas, que a divina Providência se dignar enviar-me, para purificar-me de meus pecados, ou para aumentar meus méritos. Alcançai-me também, pela satisfação com que voltastes do exílio e morastes em Nazaré, a graça que com tanta humildade vos peço nesta novena, se não houver de ser em prejuízo de minha salvação eterna. (Peça as graças que deseja alcançar)


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Dia Nono
Ó José, chamado por Jesus com o nome de pai, que dor e tormento indizível seria para vosso coração amorosíssimo, ter perdido Jesus com o qual estavam todas as afeições de vossa vida! Que pena sentiríeis quando, depois de perguntar aos conhecidos e parentes ninguém vos dá razão dele! Onde está vosso Jesus? Como podereis viver agora se Jesus é vossa vida? Vós, José santíssimo, perdestes a Jesus sem culpa vossa; mas eu perdi-o muitas vezes com culpa e por malícia. Fazei-me conhecer a Jesus, e procurá-lo com cuidado, custe o que custar: não permitais, se o perder, que descance até o encontrar outra vez pela divina graça, mas de tal maneira que nunca mais o torne a perder. Peço-vos esta graça, pela alegria inefável que experimentastes achando no templo a Jesus, ensinando, como mestre do céu, aos doutores da lei, e causando-lhes adimiração com suas perguntas e respostas. Fazei que encontre a Jesus, quando o procurar pela fé, e que venha ele a meu coração quando o desejo pela caridade; para que minha esperança de encontrá-lo no céu, onde nunca mais o possa perder, seja para sempre satisfeita. Alcançai-me também as graças que vos pedi todos os dias durante esta novena; não fique defraldada a filial confiança que tenho em vós, antes fazei que, pelas graças obtidas por vossa intercessão, seja doravante um pregoeiro de vosso poder perante Deus. Amém! (Peça as graças que deseja alcançar)

Oração Final para todos os dias
Lembrai-vos, ó puríssimo Esposo de Maria Virgem, ó meu doce Protetor São José, que jamais se ouviu dizer, que alguém tivesse invocado vossa proteção e implorado vosso socorro, e não fosse por vós consolado. Com esta confiança venho à vossa presença, a vós fervorosamente me recomendo. Oh! Não desprezeis a minha súplica, ó pai adotivo do Redentor, mas dignai-vos acolhê-la piedosamente. Assim seja.

Ant. José, filho de Davi, não temais receber Maria vossa Esposa santíssima, em vossa companhia; porque o que leva em suas puríssimas entranhas é por obra do Espírito Santo.

V. Rogai por nós, José santíssimo.
R. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

Oremos
Ó Deus que por uma inefável providência vos dignastes escolher o bem-aventurado José para esposo de vossa Mãe Santíssima: concedei-nos que aquele mesmo, que na terra veneramos como protetor, mereçamos tê-lo no céu por nosso intercessor. Vós que viveis e reinais por todos os séculos dos séculos. Amém.

Retirado do livro: “Devoto Josephino – Pe. Eusébio Villanova (1935)”

(Você pode conseguir uma versão PDF em livreto desta Novena clicando no botão abaixo)

Demais festas do mês de Maio

Dia 3 Invenção da Santa Cruz
Dia 11 São Filipe e São Tiago Apóstolos
Dia 17 São Pascal Bailão
Dia 23 Bem-Aventurada Virgem Maria, Medianeira de todas as graças
Dia 25 Dedicação da Basílica Patriarcal de São Francisco de Assis
Dia 31 Bem-Aventurada Virgem Maria, Rainha

Salve Maria!

Dom Antônio de Castro Mayer: pequena sinopse de seu trabalho.

Aos caros fiéis

  “A boa educação é moeda de ouro. Em todo lugar tem valor”

Sem educação é impossível ter resistência contra o revolucionário processo travado no campo da Igreja, pois isso está além das limitadas margens de uma militância febril contra quem quer que seja. E temos cá nosso próprio exemplar a ser seguido, e não desprezado, de uma formação clara.

Em idade tão avançada da era do Concílio Vaticano II, não se pode passar sem menção os freios e a resistência brasileira articulada após 62 e os seus desdobramentos sustentados por Dom Antônio de Castro Mayer. É notório toda a movimentação de outras autoridades antes da década de 60, e até certo ponto durante o Concílio de Roncalli e Montini, mas que perdeu toda a articulação e toda a coesão face às mudanças seguintes; e que permaneceu em certa medida centradas nas figuras do arcebispo francês Dom Marcel Lefebvre e de Dom Antônio de Castro Mayer, sendo neste último a parte que mais nos toca.

O bispo de Campos recebeu uma educação bem completa: primeiramente foi discente de Dom Duarte Leopoldo e Silva e enviado pelo mesmo à Gregoriana em Roma, onde será ordenado por Dom Basílio Pompilj. Sem dúvida essa educação terá importância, não apenas no bispo resistente e conciliar-ultramontano, mas como o bispo ensaísta e líder de diocese; em que dadas as circunstâncias isso implica em direcionamento da formação e reorganização do clero coadjutor: trabalho esse nada surpreendente, pois após retornar de Roma, Dom Antônio se tornou por mais de uma década professor do Seminário Central do Ipiranga da Arquidiocese de São Paulo, atuando depois entre diversos cargos inter relacionados e tendo como consequência o episcopado de Campos, cuja sagração foi realizada pelo núncio Dom Carlo Chiarlo.

Trabalhou com a Ação Católica, onde iniciou uma longa amizade com o seu diretor, o então futuro fundador da TFP e ex-deputado federal da Constituinte de 1934, Dr. Plínio Corrêa de Oliveira. Depois com diversos encargos e ofícios, o bispo de Campos realizou alguns trabalhos na PUC de São Paulo, no tempo de José Pedro Galvão de Sousa.

Apesar da pouca contribuição, devido aos seus trabalhos, é o fundador do periódico Catolicismo, e também apoiou obras anticomunistas no Brasil, como a publicação do livro “Reforma Agrária, uma questão de consciência”.

Todos os seus trabalhos o preparam para o governo da diocese de Campos e para a reorganização da mesma nos anos 70 e 80, uma pequena resistência brasileira, a União Sacerdotal São João Maria Vianney, e única de seu gênero: com processos judiciais dolorosos e toda a sorte de perseguições. Essas décadas são marcadas pelo desgaste com a TFP, com os bispos Novus Ordo, e o isolamento natural de um bispo que resistia não só pela força mas pela pena, escrevendo alguns artigos e se aprofundando no problema da crise.

Dom Antônio de Castro Mayer em pessoa não deixou sucessor, nem mesmo concretizou as ambições de um seminário grande, que certamente o tinha. Seus padres passam a ser formados ou em Écône, na Suíça, ou em La Reja, na Argentina, mas sobretudo em La Reja. Desde então trava o destino da sua União Sacerdotal ao da Fraternidade de Dom Marcel Lefebvre, seu último apoio.

Nos últimos anos de vida realizou seu mais importante ato público, em Écône: as sagrações de 1988, sendo na prática um ato harmonizado com as ações da Fraternidade Sacerdotal São Pio X de Dom Marcel Lefebvre, mas que é preciso ainda hoje separar as duas linhas magisteriais cotejadas que se travavam entre os dois bispos resistentes. Por um lado, Dom Antônio deixava escapar uma tendência mais forte e firme, e por outro, Dom Lefebvre cada vez menos crítico. Nesses anos seus padres, assim como a Fraternidade, seguiram rezando missa Una Cum, unidos ao que consideravam ser o bispo local, e ao chamado João Paulo II. Desconcertante para com as declarações de Dom Antônio de Castro Mayer. “Que autoridade?” declarou na Suíça no Seminário de Écône. São esses trechos obscuros de sua biografia que denotam a falta do mesmo espírito nos que se diziam ser seus correligionários e denotam também os princípios da extinção da USSJMV para dar lugar à Administração Apostólica.

A formação claudicante de seus sucessores contrastam, e muito, com a clareza da de seu fundador. A influência crescente da fraternidade, a incapacidade de formar seus novos padres, a falta de horizontes na paisagem “RR” levam os sucessores do bispo de Campos para a capitulação pouco tempo depois após a sua morte, em 25 de abril de 1991: fruto amargo de uma má formação e das dissensões internas que germinavam em sua obra.

Não é suficiente julgar Dom Antônio pelo prisma da medíocre obra levada a cabo por Dom Fernando A. Rifan. Uma antítese da resistência de um bispo católico e a consequência lógica, não do pensamento de Dom Antônio de Castro Mayer, mas da formação recebida da Fraternidade de Dom Lefebvre.


— Artigo por Frei João Maria Vianney A. Aguiar de Matos, O. F. M. Sub


Ad Clerum

Antonius natus est in oppido Campinensi, Sancti Pauli Provinciae in Brasilia, anno milesimo nongentesimo quarto, e catholica familia ortus. Agens anno duodecimo aetatis suae ingressus est Seminarium minus quod a Praemonstratensibus sacerdotibus regebatur, et postea anno milesimo nongentesimo vicesimo secundo incepit studia in Seminario majori Sancti Pauli. Bonis obtentis profectibus in examinibus Seminarii missus est Romam a Duarte Leopoldo e Silva episcopo ut in Gregoriana Academia studia sua compleret. Anno milesimo nongentesimo vicesimo septimo ordinatus est a Basilio Cardinali Pompilij et paulo post ascendit gradum doctoris theologiae. Redux in Brasiliam P. Antonius factus est praelector Seminarii Sancti Pauli docuitque Philosophiam, Historiam Philosophiae et Theologiam Dogmaticam per annos tredecim.

Anno milesimo nongentesimo quadragesimo primo nominatus est canonicus Capituli Metropolitani Sancti Pauli et postmodum electus Vicarius Generalis. Post annos tres munere Vicarii Oeconomi functus est in Paroecia São José do Belém et vacabat disciplinis Religionis et Doctrinae Socialis Catholicae in Faculdade Paulista de Direito et in Instituto Sede Sapientiae. Die vicesima tertia mensis Maji anni milesimi nongentesimi quadragesimi octavi ordinatus est episcopus coadjutor pro dioecesi Camponensi in Fluminis Januarii Provincia. Anno sequenti mortuo episcopo dioecesano Revmus. Dnus. Antonius gubernaculum suae dioecesis accepit eamque rexit usque ad annum milesimum nongentesimum octogesimum primum, quo anno jussus est munus suum resignare.

Comparuit ad Concilium Vaticanum II, sed renuit consentire cum aptatione Ecclesiae ad saeculum seu conformatione ejusdem cum mundo, probabiliter ob instructionem quam susceperat tempore Seminarii, quae instructio eum urgebat ut semper ageret secundum mentem, doctrinam et constitutionem Ecclesiae prout exstiterunt usque ad eos qui Vaticanum II praecesserunt, annos. Eapropter renuit Novo Ordine Missae uti et prae innovationibus Concilii ferebat semper traditionalem Ecclesiae disciplinam.

Post Antonii resignationem successor sacerdotes quos ille erudierat juxta veram mentem Ecclesiae persecutus est, eos expellens de dioecesis ecclesiis, quapropter iidem sacerdotes ad Antonium recurrerunt, qui tum Unionem Sacerdotalem S. Joannem Mariam Vianney fundavit ut illos sacerdotes reciperet apud se novosque ordinaret qui traditionalem Ecclesiae doctrinam profiterentur.

Societatem habuit cum Revmo. Dno. Marcello Lefebvre episcopo etiam resistente adversus Concilium Vaticanum II, et quidem adfuit consecrationi episcopali habitae in vico Esquiniae anno milesimo nongentesimo octogesimo octavo, in qua quattuor sacerdotes ordinati sunt episcopi a Marcello Lefebvre et Antonio Mayer. Hoc fecerunt ut episcopi ordinati continuitatem praeberent sacerdotio catholico, quod in periculo jacebat ob modernistam apostasiam in Vaticano II ortam. Etiam in vico Esquiniae sermonem dedit Antonius agens de apostasia in Ecclesia manifestansque se credere Joannem Paulum II auctoritatem amisisse ob errores doctrinales quos hic docuerat Ecclesiam, quae confessio affinis est sedevacantismo, i. e. asserto affirmanti hominem qui fidem catholicam non habeat Apostolicam Sedem occupare non posse, quapropter eadem Sedes vacat usque a S. S. Pii XII morte, cum ejus successores publice et voluntarie errata docuerint et doceant, quod demonstrat eos fidem catholicam non habere.

Etiam anno milesimo nongentesimo octogesimo octavo in Brasilia ordinavit presbyterum, et hoc ultima est publica episcopi actio. Relinquens omnibus fidelibus magnum defensionis et proelii pro fide catholica exemplar, Antonius defunctus est die vicesima quinta mensis Aprilis anni milesimi nongentesimi nonagesimi primi sepultusque in ecclesia Tertii Ordinis B. M. V. de Monte Carmelo.


Scriptum exaratum a Fr. Pacifico-Maria dos Santos Silva, O. F. M. Sub